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Palestinos fazem reparos em túneis apesar de ameaças de Israel

Israel afirma que passagens são usadas para tráfico de armas; população lucra trazendo alimento e combustível

Agências internacionais,

22 de janeiro de 2009 | 09h28

Milhares de palestinos seguiram para a fronteira da Faixa de Gaza com o Egito para fazer reparos nos túneis bombardeados por Israel e restaurar uma via comercial considerada crucial para o território palestino. A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, advertiu nesta quinta-feira que o país se reserva o direito de atacar os túneis usados para contrabando na fronteira entre Gaza e o Egito.  Veja também:Hamas passa a falar em negociaçãoEspecial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques     As passagens secretas são usadas para contrabandear suprimentos e também armas na zona costeira. Nos dias seguintes à trégua, centenas de palestinos já reparavam os túneis danificados pelos ataques israelenses. "Para os túneis, nada será como era antes", disse Livni à rádio pública. "As coisas devem ficar claras: Israel se reserva o direito de reagir militarmente contra os túneis agora e sempre." A ministra frisou que esse era o direito de legítima defesa de Israel, que não será deixado nas mãos de "egípcios, nem de europeus nem de norte-americanos". Moradores da região da fronteira, onde alguns palestinos usam os túneis como negócio, afirmam que o envio de combustíveis e querosene para cozinhar estão sendo transportados por dezenas de túneis, entre as centenas existentes. Mohammed, proprietário de um túnel, afirmou que ele e três sócios pagaram US$ 40 mil para construir sua linha de abastecimento. "Assim que estiver operando, não entrarão drogas ou armas, planejo usá-lo para trazer o que a gente mais necessita, alimentos e combustível, e isso é muito rentável". O Hamas e outros grupos militares usam seus próprios túneis para traficar armas, porem os jornalistas não possuem acesso e não podem confirmar se as operações foram retomadas. Israel ameaça promover uma nova ação militar para impedir que o Hamas reponha seu arsenal de foguetes usados para atacar cidade no sul israelense. Os soldados se retiraram da Faixa de Gaza na quarta-feira, três dias após o início do cessar-fogo decretado separadamente por Israel e pelo Hamas. Na cidade de Rafah, na fronteira com o Egito, centenas de palestinos que possuem interesse financeiro nos túneis começaram os reparos. Ainda que esteja permitido o envio de ajuda humanitária aos palestinos, o embargo israelense ao território converteu os túneis num grande negócio. O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, iniciou uma viagem pela Faixa de Gaza para examinar a extensão do estrago causado pela ofensiva. Holmes disse que o número de mortos era algo "extremamente chocante". O funcionário também pediu que Israel conduza uma investigação completa sobre bombardeios que danificaram edifícios da ONU em Gaza. A ofensiva, iniciada em 27 de dezembro e encerrada no domingo, deixou mais de 1.300 palestinos mortos. No mesmo período morreram 13 israelenses por causa da violência.  Holmes disse que está pensando nas necessidades humanitárias mais urgentes e na reconstrução de longo prazo. Segundo ele, as principais necessidades são água potável, sistema de esgoto, eletricidade e abrigos. Para o subsecretário, as fronteiras de Gaza devem ser abertas para que os matérias de reconstrução sejam levados.  Enviado israelense no Egito O enviado israelense Amos Gilad estava no Cairo, nesta quinta-feira, 22, para negociações indiretas mediadas pelo Egito sobre formas de realizar um cessar-fogo duradouro com o grupo militante Hamas. Israel deve enfocar para um eventual acordo o fim do contrabando de armas pela porosa fronteira entre Egito e Gaza. Gilad chegou "para uma rápida visita a fim de se encontrar com altos funcionários e discutir a consolidação do cessar-fogo em Gaza", informou a agência estatal egípcia MENA. O governo egípcio convidou o Hamas ao Cairo para conversas separadas na quinta-feira sobre o frágil cessar-fogo, que vale desde o domingo. Porém o grupo enviará uma delegação ao Cairo somente no domingo, segundo o Ministério das Relações Exteriores. O Hamas adiou sua visita para permitir que haja mais consultas entre o Egito e Israel sobre formas de consolidar o cessar-fogo que "seriam aceitáveis para ambos os lados", disse um alto funcionário egípcio à MENA. A ofensiva de 22 dias de Israel, iniciada em 27 de dezembro, matou 1.330 palestinos e deixou 13 israelenses mortos. O chefe da inteligência egípcia, Omar Suleiman, se encontrou separadamente com funcionários israelenses e do Hamas para negociar um cessar-fogo baseado em uma proposta de três pontos do presidente Hosni Mubarak. O plano, divulgado no dia 6, pedia um imediato cessar-fogo, a abertura das fronteiras de Gaza e a retomada das negociações de paz. Ataque da Marinha Pelo menos cinco civis palestinos foram feridos por disparos de navios de guerra da Marinha israelense contra uma área litorânea a oeste da Cidade de Gaza, disseram testemunhas e fontes médicas palestinas. Moradores de Gaza disseram que várias embarcações israelenses bombardearam seguidas vezes a costa da Faixa, principalmente o campo de refugiados de Shati. O chefe do serviço de emergências na Faixa de Gaza, Muawiya Hassanein, informou que os cinco feridos são civis e foram levados ao Hospital Shifa, na capital da região. Um porta-voz do Exército israelense disse que durante o dia navios da Força Naval fizeram vários "disparos de advertência" para impedir que embarcações palestinas de pescadores se afastassem do litoral. Israel controla as águas de Gaza desde 1994 e após a captura do soldado israelense Gilad Shalit, em junho de 2006, os navios patrulham a um raio de oito quilômetros da costa de Gaza e impedem toda aproximação ao continente.

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