Palestinos não têm muita esperança nas negociações de paz

A retomada das conversações de paz no Oriente Médio, inspiram pouca confiança entre os palestinos, que dizem que a perspectiva de existir um Estado palestino independente ao lado de Israel, não passa de um sonho.

TOM PERRY, REUTERS

21 de agosto de 2010 | 13h38

"Aconteceram muitas negociações pela paz, mas não temos visto nenhum resultado. Não temos mais esperanças", disse Luay Kabbah, de 30 anos, que ainda estava na escola quando os líderes palestinos e israelenses começaram a falar sobre a paz, há quase duas décadas.

Seu desânimo reflete o profundo pessimismo dos palestinos, sentido também em Israel, sobre as perspectivas para uma nova rodada de negociações de paz, mediadas pelos EUA, que devem começar em setembro.

As conversas são o mais recente capítulo de um processo de paz, que depois de interrompido por muitos anos de violência, no início dessa década, deu aos palestinos, uma liberdade de governo limitada, mas nenhum direito sobre as terras ocupadas por Israel, desde a guerra do Oriente Médio, de 1967.

Hoje, a ideia do surgimento daquele Estado, na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém Oriental --meta estabelecida pela liderança-- parece quase impossível para muitos palestinos.

Eles dizem que suas esperanças foram minadas pela política de Israel, pelo fato dos EUA não conseguirem forçar Israel a fazer concessões e às falhas de seus próprios líderes, que estão cada vez mais fracos e divididos, desde a morte de Yasser Arafat, em 2004.

Governos rivais palestinos surgiram em Gaza e na Cisjordânia criando uma divisão que tem complicado o que já era um dos conflitos mais complexos do mundo.

Por enquanto, evitar a deterioração do "status quo" é o melhor resultado que se espera, disse, Ahmad Aweidah, presidente da bolsa de valores da Palestina, que foi criada quando as esperanças de paz estavam em alta, na década de 1990.

"Processo de paz? Que processo de paz? Isso é tão anos 1990. Depois de 18 anos, eles não estão sem graça?" disse.

Há apenas dois cenários: o otimista é uma repetição do que havia antes; o pessimista que diz que tudo vai piorar."

Os EUA fizeram da retomada das negociações entre Israel e os palestinos, uma de suas prioridades. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse na sexta-feira, que houve dificuldades no passado, mas que elas não existirão no futuro.

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