Palestinos optam por unidade em vez de acordos com Israel

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, decidiu que tem mais chance de fazer a paz com o grupo militante islâmico Hamas do que de assinar um tratado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

DOUGLAS HAMILTON, REUTERS

07 de fevereiro de 2012 | 16h30

Ao menos no curto prazo, isso poderá servir aos interesses de Abbas e de Netanyahu. Também pode abrir as portas para o domínio do Hamas sobre a política palestina, num momento em que os islâmicos ascendem ao poder em outros locais em eleições pós-Primavera Árabe.

Abbas e o líder do Hamas, Khaled Meshaal, assinaram um acordo no Catar na segunda-feira para formar um governo de união com a incumbência de preparar uma eleição ainda este ano. Embora acordos como esse tenham se mostrado sem valia no passado, as coisas podem estar diferentes agora.

Ao se unir ao Hamas, marginalizado por Israel e pelo Ocidente por sua violência, o processo de paz no Oriente Médio seria interrompido. Mas Abbas, de 76 anos, acredita que de qualquer forma ele não vai a lugar nenhum. Desse modo, a união do movimento nacional palestino, atualmente muito dividido, deve lhe parecer a melhor aposta para um legado honroso.

Há cinco anos os palestinos não têm uma voz unida - desde que o movimento secular Fatah, de Abbas, foi expulso da Faixa de Gaza por homens armados do Hamas em 2007.

Ele espera que, ao diminuir o racha, possa melhorar suas perspectivas de obter o reconhecimento do Estado palestino pelo máximo de países possível, mesmo sem a paz com Israel.

Há, no entanto, grandes obstáculos a superar, principalmente porque o Hamas ainda tem o compromisso formal de destruir Israel, enquanto a Organização pela Libertação da Palestina, o Fatah e a Autoridade Palestina - todos chefiados por Abbas - reconhecem o Estado judaico e têm acordos interinos com o país.

"Qualquer governo palestino precisa se comprometer com a não-violência de maneira explícita e sem ambiguidades", disse a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Victoria Nuland, na segunda-feira.

"Ele precisa reconhecer o Estado de Israel. E deve aceitar os acordos prévios e as obrigações entre as partes, incluindo o mapa do caminho...nossas linhas principais permanecem as mesmas."

Isso exigiria uma reviravolta revolucionária pelo Hamas, o que parece não estar no roteiro.

O movimento islâmico, porém, já propôs acordos de cessar-fogo de longo prazo em troca de um Estado com fronteiras similares às buscadas por Abbas.

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