Palestinos rejeitam proposta de fronteiras apresentada por Israel

Israelenses deixaram de lado acordos anteriores e leis internacionais, segundo negociadores

Reuters

27 de janeiro de 2012 | 10h27

RAMALLAH - Israel apresentou aos palestinos suas ideias para as fronteiras e os arranjos de segurança de um futuro Estado palestino, em uma tentativa de manter vivas as conversas exploratórias, disseram fontes israelenses e palestinas nesta sexta-feira, 27.

 

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Mas autoridades palestinas disseram que a apresentação verbal do negociador israelense Yitzhak Molcho na reunião de quarta-feira foi um balde de água fria, pois prevê um território cercado de cantões que preservaria a maioria dos assentamentos judaicos. "Ele matou a solução de dois Estados, pôs a escanteio acordos anteriores e a lei internacional", afirmou uma fonte da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). "Basicamente, a ideia israelense de um Estado palestino é feita de muros e assentamentos".

Foi a primeira vez que o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, abordou o tema das fronteiras com os palestinos. Uma autoridade israelense disse que a apresentação está em consonância com um rascunho para as conversas elaborado pelo Quarteto - Estados Unidos, União Europeia, Rússia e Organização das Nações Unidas (ONU).

Seu objetivo é garantir que os temas centrais de fronteiras e segurança fossem claramente definidos até 26 de janeiro para relançar as negociações, empacadas desde novembro de 2010, e se chegar a um esboço de acordo de paz até o fim deste ano.

Após cinco rodadas de conversas na Jordânia, incluindo a sessão de quarta-feira, a fonte palestina disse não haver mais reuniões agendadas. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmou que deseja consultar os Estados da Liga Árabe sobre o próximo passo.

De acordo com a fonte palestina, a equipe de Molcho indicou que qualquer solução que crie um Estado palestino vivendo em paz ao lado de Israel precisa "preservar o tecido social e econômico de todas as comunidades, judaicas ou palestinas". A ideia apresentada por Molcho "não inclui Jerusalém e o Vale do Jordão, e inclui todos os assentamentos (judaicos)", disse a autoridade palestina. Nenhum mapa foi apresentado no encontro, acrescentou.

Os palestinos querem um Estado que inclua a Cisjordânia, o Vale do Jordão, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza. Uma autoridade israelense disse que Molcho apresentou diretrizes que determinam as posições de Israel no tocante aos territórios.

O enfoque de Israel em relação às concessões territoriais na Cisjordânia ocupada inclui o princípio de que "a maioria dos israelenses estará sob soberania israelense, e obviamente a maioria dos palestinos estará sob soberania palestinas", disse o funcionário.

Ele sublinhou que Netanyahu reconheceu, em um discurso ao Congresso dos Estados Unidos, que nem todos os assentamentos judeus "estarão do nosso lado da fronteira" de um futuro Estado palestino.

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