Palestinos retomam trabalho nas obras de assentamentos judaicos

Escavadeiras mecânicas abriam buracos no solo rochoso de um assentamento judaico nesta terça-feira, onde operários, em sua maioria palestinos, preparavam as fundações para 24 casas depois que Israel encerrou a suspensão parcial das construções.

ORI LEWIS, REUTERS

28 de setembro de 2010 | 12h06

"Temos que trabalhar esta manhã. Estamos apenas fazendo nosso trabalho", disse o mestre de obras, um palestino que se negou a informar seu nome.

Prédios baixos de apartamentos estão sendo construídos atrás de um muro de aço em Geva Binyamin, assentamento de 1.300 famílias no alto de uma colina que se ergue sobre vilarejos palestinos vizinhos e outros enclaves israelenses na Cisjordânia ocupada.

O trabalho começou depois de encerrada, na segunda-feira, a moratória parcial decretada por Israel para construções nos assentamentos judaicos na Cisjordânia. Lideranças palestinas ameaçam abandonar as negociações de paz mediadas pelos EUA se a suspensão não entrar em vigor novamente.

Os palestinos veem os enclaves como símbolos odiados da ocupação israelense, que podem lhes negar a possibilidade de um Estado viável. Mas, para milhares de trabalhadores palestinos, os assentamentos também significam comida sobre suas mesas.

Autoridades palestinas dizem que cerca de 25 mil palestinos trabalham nos assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém oriental, áreas que Israel capturou da Jordânia em uma guerra em 1967.

Menos de uma dúzia de operários e topógrafos, em sua maioria palestinos, estavam trabalhando em Geva Binyamin, 12 quilômetros ao norte de Jerusalém, preparando o terreno para receber as fundações do complexo habitacional que vai somar-se a outros prédios de apartamentos que já existem na rua.

A Autoridade Palestina instruiu os palestinos a abandonar seus empregos nos assentamentos até o final do ano, como parte de seu boicote comercial dos enclaves, mas a obediência pode não ser total, devido à ausência de alternativas de trabalho na Cisjordânia.

No vilarejo de Hussan, perto de Belém, na Cisjordânia, um operário palestino, que se identificou apenas como Ali, não falou de política ao ser indagado sobre o fim da moratória israelense sobre as construções, mas de oportunidades de trabalho.

"Que diferença faz? Temos convivido com os israelenses e vamos ter que conviver com eles no futuro. Estou satisfeito porque vou conseguir ganhar a vida", disse ele.

Quase 500 mil judeus vivem em mais de cem assentamentos espalhados pela Cisjordânia e Jerusalém oriental. Cerca de 2,5 milhões de palestinos moram na mesma região.

A Corte Mundial considera os assentamentos ilegais, mas Israel contesta esse parecer.

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