Palestinos se queixam a Biden por plano para assentamentos

Decisão é 'nociva' e 'mina a confiança nas perspectivas de paz', segundo primeiro-ministro palestino

Reuters,

10 de março de 2010 | 09h42

Autoridades palestinas criticaram o novo plano de Israel para construir 1.600 casas para colonos judeus em Jerusalém Oriental e disseram ao vice-presidente dos EUA, Joe Biden, nesta quarta-feira, 10, que a decisão desafia os esforços de Washington para promover um diálogo indireto pela paz no Oriente Médio.

 

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"Este é um momento de grande desafio ao esforço dos EUA para fazer o processo político ser retomado", disse o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, em encontro com Biden na Cisjordânia. O premiê afirmou que a decisão israelense é "certamente nociva" e "definitivamente solapa a confiança nas perspectivas de paz."

Em Jerusalém, ministro do Bem-Estar israelense, Isaac Herzog, pediu desculpas pelo "verdadeiro constrangimento" causado a Biden na terça-feira pela notícia da construção de casas em uma área da Cisjordânia anexada por Israel à cidade.

Biden, que estava em Jerusalém na hora do anúncio, condenou o projeto, que marcou negativamente a visita inicialmente focada em tranquilizar Israel quanto ao compromisso do governo de Barack Obama em proteger o Estado judeu contra a eventual ameaça nuclear iraniana.

Assessores do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, dizem que ele foi apanhado de surpresa pelo anúncio do projeto, feito pelo Ministério do Interior, que está sob controle do partido religioso-nacionalista Shas.

Os palestinos, que passaram meses exigindo a paralisação completa da ampliação dos assentamentos como pré-requisito para a retomada das negociações, abandonadas desde dezembro de 2008, aceitaram nesta semana participar de um diálogo indireto, sob mediação dos EUA. Ainda não há data, local nem pauta definida para esse processo.

O negociador palestino Saeb Erekat disse que o presidente Mahmoud Abbas pediria a Biden numa reunião na quarta-feira que pressione Israel a revogar a decisão sobre a construção das novas casas para colonos.

Em novembro, Netanyahu determinou um congelamento por dez meses na expansão dos assentamentos da Cisjordânia, mas isso não inclui áreas anexadas ao município de Jerusalém sem o consentimento internacional.

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