Palestinos suspendem negociação de paz durante incursão

Países do Oriente Médio e América Latina repudiam incursão israelense na Faixa de Gaza

Redação com agências internacionais,

29 de dezembro de 2008 | 10h18

O negociador-chefe palestino das discussões de paz, Ahmed Qureia afirmou que as negociações foram suspensas durante a ofensiva israelense em Gaza, informa o jornal israelense Haaretz.   Veja também: Israel ataca de novo e prepara invasão de Gaza; total de mortos vai a 307 Ministro israelense defende 'guerra sem trégua' Líder do Hamas está disposto a assinar cessar-fogo em Gaza Situação humanitária em Gaza é desastrosa, diz oficial da ONU Grupo iraniano registra voluntários para lutar contra Israel Obama acompanha ataques, mas não se pronuncia Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos   "Não há negociação durante os ataques contra nós", afirmou Qureia. Os ataques de Israel contra o grupo islâmico Hamas causaram revolta no mundo árabe, culminando na suspensão das negociações indiretas de um processo de paz entre a Síria e o governo israelense. "A agressão de Israel fecha todas as portas para um acordo na região", afirmou um funcionário do governo sírio que não quis se identificar.   A declaração foi feita um dia depois de a Turquia - que estava mediando as conversações de paz - condenar os ataques em Gaza. Segundo o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, Israel usou uma "força desproporcional" no território e a ação foi um "crime contra a humanidade".   Israel e Síria realizaram quatro rodadas de negociações na Turquia depois que o processo de paz foi lançado em maio. As conversas, porém, foram suspensas depois que o premiê israelense, Ehud Olmert, anunciou que deixaria o cargo no início de 2009.   O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, criticou Israel pela ofensiva e o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, emitiu um decreto religioso para que todos os muçulmanos em todas as partes do mundo defenderem os palestinos em Gaza. "Todos os combatentes palestinos e todos os devotos do mundo islâmico estão obrigados a defender as mulheres, crianças e pessoas indefesas em Gaza de todas as formas possíveis", afirmou Khamenei. "Todos os mortos nessa defesa legítima serão considerados mártires."   A União Européia condenou os ataques e o chanceler britânico, David Miliband, pediu um fim imediato para a violência na região. O governo da Rússia também pediu que Israel pare de atacar Gaza. O Conselho de Segurança da ONU e o Vaticano também condenaram os ataques. A Liga Árabe convocou para quarta-feira uma reunião de emergência para discutir a situação.   América Latina   O Itamaraty repudiou os ataques e criticou a "reação desproporcional" de Israel no ataque realizado contra a Faixa de Gaza. A diplomacia brasileira pediu o fim da violência na região. "A escalada da violência na região após o fim do cessar-fogo entre Israel e Hamas atinge especialmente a população civil e prejudica os esforços em favor de uma solução negociada e pacífica para o conflito israelo-palestino. O Brasil deplora a reação desproporcional israelense, bem como o lançamento de foguetes contra o sul de Israel", apontou o Itamaraty em nota oficial.   Outros governos da América Latina também rejeitaram a violência que tomou conta de Gaza. No Chile, mais de cem manifestantes reuniram-se na frente da Embaixada de Israel em Santiago para protestar contra a ofensiva. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, manifestou sua "profunda indignação" pelo ocorrido e criticou os EUA por terem sido "cúmplices" de Israel nos ataques.   O Mercosul também emitiu um comunicado. "Os países-membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) manifestam sua preocupação e repudiam a escalada de violência e intimidação na Faixa de Gaza", afirmou em comunicado a chancelaria do Paraguai, que exerce a presidência semestral do bloco.   Protestos   As mortes em Gaza foram repudiadas em todo o Oriente Médio, onde ocorreram diversas manifestações contra Israel.   Centenas de pessoas se reuniram em Mossul, no norte do Iraque, para queimar bandeiras israelenses. O clérigo xiita Muqtada al-Sadr criticou Israel por seus vínculos com os EUA. "O massacre de inocentes na Faixa Gaza é prova do que dizemos - tudo isso ocorre com o consentimento do governo dos EUA", afirmou o clérigo antiamericano.   No Líbano, a polícia teve de usar gás lacrimogêneo para reprimir manifestantes. Manifestantes em Amã, capital jordaniana, marcharam até a Embaixada do Egito para exigir que Cairo abra sua fronteira com Gaza.

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