Paquistão abre investigação sobre ataque à Mesquita Vermelha

Atentado deixou pelo menos 13 mortos e cerca de 50 feridos

BBC

28 Julho 2007 | 08h27

A capital do Paquistão, Islamabad, amanheceu sob um forte esquema de segurança neste sábado, um dia depois de um atentado suicida na Mesquita Vermelha ter deixado pelo menos 13 mortos e cerca de 50 feridos.   As autoridades paquistanesas iniciaram uma investigação sobre a explosão. Um porta-voz do Ministério do Interior, Javed Iqbal Cheema, afirmou que será realizada uma investigação detalhada. Cheema disse acreditar que os confrontos ocorridos na mesquita no início do mês tenham contribuído para o atentado.   "O governo está muito determinado a derrotar e expulsar os extremistas", disse Cheema à agência de notícias AFP. Ele afirmou que os restos mortais do suicida serão submetidos a testes de DNA para identificação.   Há menos de três semanas, as forças de segurança do Paquistão invadiram a mesquita, depois que seus clérigos e estudantes fizeram uma campanha para a implantação da severa lei islâmica, a Sharia. Os clérigos e estudantes entrincheirados na mesquita resistiram durante dias ao cerco das forças de segurança. O confronto chegou ao fim em 11 de julho, com mais de cem mortos.   Nesta sexta-feira, a explosão ocorreu depois de choques violentos entre policiais e estudantes que voltaram a ocupar a mesquita e atiraram pedras contra as autoridades. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes e a tropa de choque foi enviada ao local.   As autoridades acreditam que o alvo da explosão (que ocorreu em um restaurante do lado de fora da mesquita) era o cordão de isolamento da polícia em volta da mesquita, onde estavam dezenas de policiais. Os manifestantes pediam o retorno à mesquita do clérigo pró-taleban Abdul Aziz, preso desde os confrontos do início do mês.   Eles escreveram as palavras "Mesquita Vermelha" em urdu no domo da construção, que foi pintado e reformado depois dos cerco anterior. Eles também hastearam uma bandeira negra com duas espadas cruzadas - o que significa jihad, ou guerra santa.   Segundo analistas, esta é a mais grave crise interna enfrentada pelo presidente Pervez Musharraf desde que ele assumiu o governo, há oito anos. O ataque à mesquita foi a pior batalha enfrentada pelas forças de segurança no Paquistão desde que Musharraf prometeu acabar com a rede de militantes no país, logo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.   Nas duas últimas semanas, atentados suicidas têm sido realizados quase diariamente no Paquistão e já deixaram mais de 200 pessoas mortas.

Mais conteúdo sobre:
Mesquita VermelhaPaquistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.