Paquistão e Afeganistão prometem colaboração contra insurgência

Os líderes políticos do Paquistão edo Afeganistão prometeram na quarta-feira reforçar a cooperaçãona área de inteligência para combater a ameaça do terrorismo,disse o presidente paquistanês, Pervez Musharraf. As relações entre Musharraf e o presidente afegão, HamidKarzai, chegaram a ficar praticamente rompidas nos últimos anospor causa das queixas afegãs de que insurgentes do Talibanoperam do lado paquistanês da fronteira entre os dois países. Mas os dois líderes tinham um ar tranquilo e amistoso naentrevista coletiva que deram depois das negociações emIslamabad, e ambos se referiram aos países como gêmeos. Musharraf afirmou que os paquistaneses e os afegãos estãosendo vítimas do extremismo e do terrorismo. "A chave paracombater e aumentar os recursos contra o terrorismo é acooperação na área de inteligência", disse ele. "As duas agências de inteligência, de ambos os lados, têmde manter forte colaboração se quisermos cuidar de terroristase extremistas com mais eficácia." O Afeganistão está enfrentando uma forte insurgência doTaliban, e forças paquistanesas combatem militantes pró-Talibanem várias regiões do noroeste do país, perto da fronteira com oAfeganistão. Os ataques suicidas a bomba são comuns nos doispaíses. Karzai chamou Musharraf de irmão e disse que os doisdiscutiram questões de importância vital. "O povo dos doispaíses está sofrendo demais, e cabe a nós, a liderança dos doisgovernos, encontrar meios de levar à paz e à estabilidade",disse o afegão na entrevista. Não é a primeira vez que os dois países --ambos aliados dosEstados Unidos-- prometem trabalhar juntos contra a militância,mas no passado foram poucas as medidas concretas para que issoacontecesse. Karzai, que já falou muitas vezes da necessidade dedestruir campos de treinamento militar que ficam no Paquistão,disse que os ataques de militantes diminuíram na fronteira. Segundo o afegão, a conversa também tratou da escassez defarinha de trigo que atinge os dois países, e da melhora nocomércio e no trânsito de produtos pelo Paquistão. Ele disse esperar que as negociações resultem em atitudesfrutíferas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.