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Paquistão inicia ofensiva em território dominado pela Al-Qaeda

Já foram três campanhas sem sucesso contra insurgentes desde 2001. Desta vez, militares não preveem trégua

AP

17 de outubro de 2009 | 11h02

Mais de 30 mil soldados paquistaneses lançaram uma ofensiva terrestre contra a principal base da Al-Qaeda e do Taleban nas fronteiras afegãs neste sábado, 17, segundo informações de oficiais, sendo a mais violenta investida do país contra os insurgentes.

 

Os Estados Unidos incitaram o governo a executar a ofensiva em Waziristão do Sul, após duas semanas de ataques de militantes, que mataram mais de 175 pessoas no país.

 

Desde 2001, o Paquistão promoveu, sem sucesso, três campanhas na região, que é o centro nervoso dos insurgentes contra o apoio dos Estados Unidos. É também base para planejamento de ataques estrangeiros contra forças americanas e da Otan no Afeganistão e em alvos a oeste.

 

Depois de meses de bombardeios aéreos, as tropas adentraram a região através de diversas direções, indo em direção às bases insurgentes de Ladha e Makeen, além de outros alvos.

 

Oficiais esperam que a operação dure cerca de dois meses.

 

O porta-voz do Exército paquistanês, Major General Athar Abbas, confirmou neste sábado que uma operação terrestre completa está em andamento, programada para desmantelar o Taleban no Paquistão. Segundo o oficial, ainda é cedo para discutir que tipo de resistência o Exército encontraria.

 

A ONU disse que está se preparando para ajudar os civis que fugirem da região. Cerca de 150 mil civis já partiram recentemente, depois do Exército anunciar a ofensiva, mas há cerca de outros 350 mil restantes.

 

Pelo menos 11 suspeitos insurgentes foram mortos por bombas, e um ataque a um comboio de segurança matou um soldado e feriu três outros.

 

É quase impossível verificar as informações de maneira independente na região, que é muito controlada por tribos locais e tem pouca infraestrutura e presença do governo. Estrangeiros pedem permissão para entrar em áreas tribais e poucos jornalistas paquistaneses se arriscam a viajar por lá.

 

Os militares já disseram que acabaram com rotas de fuga e canais de abastecimento, e estão tentando garantir a segurança da população tribal da região.

 

No começo da semana, o aeroporto da principal cidade próxima, Dera Ismail Khan, foi fechado para voos civis.

 

Pesquisas recentes mostram grande apoio à ação militar contra os militantes, o que representa uma mudança em relação a alguns anos. Há também apoio político. Mas um conflito sangrento pode modificar o cenário.

 

O porta-voz do Exército chegou a dizer no começo da semana que a ofensiva seria limitada a atacar o território do líder do Taleban no Paquistão, Baitullah Mehsud, uma extensão de território que se estende por cerca de 3.310 quilômetros quadrados. Esta porção cobre cerca da metade do Waziristão do Sul.

 

O plano é tomar conta da área, onde se estima que 10 mil insurgentes se juntaram a mais 1.500 militantes estrangeiros, maior parte vinda da Ásia Central.

 

Desde 2001, as tentativas de desmantelar o Taleban na região terminaram em tréguas que deixaram o Taleban em controle. Desta vez os militares disseram que não haverá acordos, visto que isso poderia retroceder o processo que vem sendo traçado.

 

O porta-voz do Taleban não pôde ser encontrado. As comunicações na região foram interrompidas, tornando difícil o contato com residentes.

 

Apesar de às vezes manter relações tensas com os militares paquistaneses, os Estados Unidos estão tentando enviar equipamentos para contribuir com a ofensiva.

 

Mesmo que a operação seja bem sucedida no Waziristão do Sul, muitos dos militantes podem escapar para o Afeganistão ou outras áreas tribais do Paquistão. Especialistas esperam que o episódio seja o início de uma maré contra os militantes.

 

O Exército considera o inverno, que chega em breve. A neve deve bloquear as principais rodovias. Mas também deve servir para os militares, retirando os insurgentes das cavernas, que não são aquecidas.

 

Embora os militares venham atingindo alvos no Waziristão do Sul nos últimos três meses, eles esperaram até duas semanas atrás para dizer que iriam em frente definitivamente com uma ofensiva terrestre.

 

O que se seguiu foi uma série de bombardeios que mataram 175 pessoas e demonstraram as habilidades dos militantes em atacar cidades. Um dos ataques envolveu o cerco do quartel-general do Exército, durando 22 horas e deixando 23 pessoas mortas. Nos últimos bombardeios, três ataques suicidas, incluindo um vindo de uma mulher, atingiu uma base da polícia em Peshawar, matando 13 pessoas.

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