Para Abbas, ataques de Israel em Gaza foram crimes de guerra

Presidente da Autoridade Palestina pede à União Europeia que exija de Israel cumprimento da lei internacional

Efe e Associated Press,

04 de fevereiro de 2009 | 11h28

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou nesta quarta-feira, 4, que os ataques israelenses na Faixa de Gaza foram "crimes de guerra". O presidente palestino falou a membros do Parlamento Europeu, onde fez uma chamada à União Europeia (UE) para que exija de Israel o cumprimento da legalidade internacional e peça "responsabilidades legais" a seus líderes.   Veja também: Israel autoriza novo assentamento judaico na Cisjordânia Israel ofereceu 75% da ajuda a Gaza por soldado, diz Hamas Linha do tempo dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza        A intenção declarada de Abbas é que o auxílio internacional aos palestinos e as conversas de paz voltem a caminhar. Abbas disse que os que decidiram lançar a ofensiva israelense "têm que ser responsabilizados". Ele ressaltou, porém, que a Autoridade Palestina ainda busca um acordo de paz duradouro com Israel.   "Não podemos continuar tratando Israel como se estivesse acima do direito internacional (...), como se não fosse responsável, devemos pôr fim a isso", disse Abbas no Parlamento Europeu. O presidente da ANP pediu à comunidade internacional apoio econômico para a reconstrução pós-guerra, mas também um impulso político às negociações de paz e um compromisso de segurança, com o envio de tropas internacionais para proteger a população.   Em um discurso amparado com uma grande ovação por parte dos eurodeputados, Abbas detalhou a destruição provocada pela ofensiva israelense sobre Gaza, que qualificou de "selvagem, terrível e violenta". "O objetivo primordial da guerra israelense era as vidas de nossos cidadãos, nossas infraestruturas e o futuro do Estado palestino", disse.   Abbas afirmou que os ataques causaram a morte a 1,360 mil pessoas e deixaram mais de 5 mil feridos, "na imensa maioria civis inocentes e uma alta porcentagem de crianças e idosos". Além disso, disse que cerca de 4 mil edifícios residenciais e 20 mil casas foram destruídas, deixando sem lar aproximadamente 90 mil pessoas, e que os bombardeios israelenses arrasaram grande parte das infraestruturas na zona. "Tudo isso é acompanhado da agressão cotidiana contra nossas terras, pois os assentamentos nunca deixaram de se estender nem param os controles que acossam o povo", ressaltou.   Segundo Abbas, "a realidade no terreno mostra que Israel continua com a mentalidade militar e colonizadora, por mais que seus líderes falem da solução de dois Estados". Por isso, Abbas chamou que se peça responsabilidades aos líderes israelenses pelas "violações do direito internacional e humanitário que cometem", e pediu à comunidade internacional que assuma sua "responsabilidade política, jurídica e moral" e proteja os palestinos para que possam viver em paz.   Abbas, que agradeceu à UE seu apoio econômico à ANP, pediu, no entanto, mais compromisso político do bloco e insistiu na urgência de trabalhar no processo de paz. Neste sentido, o líder palestino se mostrou esperançoso com a chegada de Barack Obama à Casa Branca e a designação de George Mitchell como enviado dos EUA para o Oriente Médio. Além disso, insistiu em sua vontade de conseguir a "reconciliação nacional" e um governo de unidade, que evite "qualquer tentativa de nos dividir". Abbas pediu à UE que, se for alcançado esse Executivo de coalizão, ajude os palestinos a realizar eleições legislativas e presidenciais, como fez em algumas ocasiões anteriores.

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