Para Bush, objetivo da cúpula é iniciar diálogo no Oriente Médio

Presidente americano afirma que não pretende concluir um acordo durante conferência realizada em Annapolis

Agências internacionais,

27 de novembro de 2007 | 11h52

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou nesta terça-feira, que o objetivo da Conferência da Paz para o Oriente Médio será iniciar as negociações, e não concluir um acordo. No discurso preparado para o encontro, Bush também disse que há muito trabalho a ser feito, mas que "este é o momento correto" para a tentativa.  Veja também: Bush tenta acordo entre palestinos e israelenses Participação do Brasil em Annapolis é 'começo', diz Amorim Hamas reúne milhares em manifestação contra cúpula  Entenda a conferência de paz de Annapolis   Cronologia das negociações de paz entre Israel e palestinos O diálogo visa a retomar um paralisado processo de paz para a criação de um Estado palestino, mas a falta de confiança e a violência diária entre os dois lados provocam ceticismo quanto a grandes avanços. Na expectativa de salvar um legado de política externa dominado pela guerra do Iraque, Bush falará na reunião de um dia em Annapolis, no Estado de Maryland, onde também estarão representantes de mais de 40 países, incluindo Arábia Saudita, Síria e outras potências árabes. O Brasil também participa do encontro.  Bush afirmou que não será fácil atingir o objetivo de criar dois Estados - um israelense e outro palestino - vivendo em paz depois de décadas de conflitos e derramamento de sangue. Por isso, ele pede que os dois lados trabalhem juntos para o bem-estar das pessoas que vivem na região. Adotando uma abordagem de envolvimento direto parecida com a de seu antecessor, Bill Clinton, Bush recebe a mais ambiciosa rodada de diplomacia internacional envolvendo o Oriente Médio em sete anos. Na reunião oferecida por Clinton, em 2000, Israel ofereceu a criação de um Estado palestino em Gaza e na maior parte da Cisjordânia, mas o então presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e o premiê de Israel no período, Ehud Barak, discordaram em relação ao direito de retorno a Israel dos refugiados palestinos e, dois meses após o encontro, confrontos entre israelenses e palestinos voltaram a ocorrer, levando ao colapso das negociações. Cerca de 50 países, entre eles o Brasil, e organizações foram convidados para a reunião de Annapolis. Boa parte dos convidados, entretanto, tem pouca ou nenhuma ligação com o conflito entre israelenses e palestinos. Síria e Arábia Saudita, dois países que não reconhecem Israel, confirmaram a participação no encontro, o que foi interpretado como um sinal importante do apoio árabe à conferência de paz. Segundo a BBC, palestinos e israelenses têm defendido posições diferentes em relação aos resultados da conferência - enquanto os palestinos pedem o estabelecimento de um cronograma para a criação de um Estado próprio e a assinatura de uma declaração conjunta de princípios, Israel tem optado por não se comprometer com essas demandas. Um dos principais problemas que cerca a conferência, segundo analistas, é o de que os principais interessados em que o encontro produza resultados conclusivos estão severamente enfraquecidos, a começar pelo próprio anfitrião do encontro, o presidente americano, George W. Bush. Algumas das principais medidas do líder americano abalaram sua imagem junto a muitos dos países que estarão representados em Annapolis. A guerra do Iraque fez com que Bush sofresse forte desgaste entre os aliados árabes dos Estados Unidos, que avaliam ainda que o líder americano costuma sempre ceder aos interesses israelenses em detrimento às reivindicações palestinas. Se Bush perdeu força, a situação dos líderes de Israel e dos territórios palestinos pode ser ainda pior. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, se vê abalado por um escândalo de corrupção e por cisões dentro de sua própria coalizão. Os representantes da direita em seu gabinete se opõem radicalmente a concessões em temas polêmicos, como, por exemplo, a divisão de Jerusalém e a transformação do lado oriental da cidade na futura capital de um Estado palestino. Desde a tomada do poder pelo movimento Hamas na Faixa de Gaza, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, perdeu o controle, na prática, de 1,5 milhão de palestinos. E viu sua credibilidade ficar seriamente abalada.

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