Para Hillary, sanções do Conselho de Segurança atrapalham planos do Irã

Secretária afirmou que Brasil e Turquia ainda podem desempenhar um papel de mediação com Teerã

ANDREW QUINN, REUTERS

09 de junho de 2010 | 17h50

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse que as sanções adotadas na quarta-feira, 9,  pela ONU vão "interferir" nas ambições nucleares do Irã, e reafirmou a esperança de que Brasil e Turquia possam desempenhar um papel de mediação com Teerã.    

 

Veja também:

linkONU aprova quarta rodada de sanções contra o Irã

linkPotências: sanções foram necessárias

linkAhmadinejad: sanções vão direto para o lixo

linkIsrael: sanções ao Irã são 'passo importante'

linkLula diz que sanções da ONU foram impostas ao Irã por 'birra'

Falando a jornalistas durante visita à Colômbia, Hillary se disse satisfeita com a aprovação das novas sanções no Conselho de Segurança da ONU.

"Nossa meta não é sancionar o Irã. Nossa meta é acabar com quaisquer dúvidas e questões sobre o propósito do programa nuclear do Irã, e impedir o Irã de obter armas nucleares, e essa é uma meta amplamente abraçada na comunidade internacional", disse ela.

A secretária disse que as sanções, com suas medidas contra bancos e empresas supostamente ligadas ao programa nuclear, serão efetivas e podem eventualmente trazer Teerã para negociações reais.

"Podemos, acreditamos, desacelerar e certamente interferir e tornar muito mais difícil para eles continuar o programa nuclear, por meio dessas sanções", disse Hillary. "Ao mesmo tempo, queremos que eles voltem à mesa de negociações."

Hillary disse que Brasil e Turquia, dois influentes membros não-permanentes do Conselho de Segurança - e os dois únicos que votaram contra as sanções - ainda podem servir de ponte entre o Ocidente e Teerã.

Em maio, os dois países emergentes mediaram com o Irã um acordo de intercâmbio de material nuclear, na esperança de que isso abrisse espaço para mais negociações diplomáticas. Mas o Ocidente rejeitou o acordo, considerando-o insuficiente e tardio.

"Na atual abordagem diplomática ao Irã, acho que Turquia e Brasil vão continuar a desempenhar um papel importante", disse ela, acrescentando que os dois países talvez tenham votado contra as sanções para "manter a porta aberta" com a República Islâmica.

Ela disse que poderia haver maneiras de influenciar elementos da liderança iraniana, alguns dos quais, segundo ela, poderiam ter dúvidas sobre o desenvolvimento de armas nucleares --que o Irã nega terminantemente estar ocorrendo. "Há uma diversidade de opiniões dentro da liderança", afirmou ela.

Logo antes da votação, Hillary conversou com o presidente do Líbano, Michel Suleiman.

O Líbano - único país árabe atualmente no Conselho - se absteve na votação, ao invés de votar "não," conforme alguns previam. Ela disse ter enviado uma mensagem de solidariedade a Suleiman. O governo do Líbano tem participação do grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã.

 

Saiba mais:

especialEspecial: Os últimos eventos da crise nuclear

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

lista Veja as sanções que já foram aplicadas ao Irã

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.