Para Irã, sanções da UE seriam 'ilógicas'

O Irã qualificou na terça-feira de "ilógica e errada" a intenção da União Europeia de endurecer suas sanções à República Islâmica por causa das suas atividades nucleares, que o Ocidente teme encobrirem o desenvolvimento de armas.

PARISA HAFEZI E HOSSEIN JASEB, REUTERS

15 de junho de 2010 | 10h34

Depois de a ONU aprovar na semana passada uma quarta rodada de sanções ao Irã, a UE deve adotar na quinta-feira punições ainda mais duras, inclusive contra o setor energético do país, segundo um esboço obtido pela Reuters.

Chanceleres da UE assinaram na segunda-feira uma declaração que vai substancialmente além da resolução da ONU.

O Irã repetidamente minimiza as sanções, mas analistas dizem que as novas medidas seriam mais dolorosas por afetarem o setor energético do país, importante produtor de petróleo.

"A política de 'cenoura e porrete' (incentivos e punições) da UE é errada e ilógica, porque tais medidas não resolveriam a questão," disse um porta-voz da chancelaria iraniana. "As sanções não irão parar a atividade nuclear do Irã. As sanções nos tornarão mais decididos a nos tornarmos autossuficientes."

As sanções da UE devem afetar também os setores bancário, de seguros e de transportes, entre outros. O Congresso dos EUA também está discutindo novas sanções unilaterais contra o Irã.

O Irã detém 11 por cento das reservas mundiais conhecidas de petróleo, além da segunda maior reserva mundial. Sanções impostas ao país desde a Revolução Islâmica de 1979 já limitaram o desenvolvimento do seu setor energético, principalmente a sua capacidade de refino.

Teerã diz precisar de cerca de 25 bilhões de dólares por ano em investimentos no setor energético, e a falta de fundos pode transformar o país em importador de combustível.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad, que já havia dito que as sanções da ONU têm o mesmo valor que "um lenço usado," criticou na terça-feira o "comportamento instável" das empresas estrangeiras com relação aos investimentos no setor energético iraniano.

"As grandes potências querem impor seu desejo às outras nações (...). Não precisamos do apoio financeiro desses países," disse Ahmadinejad, segundo a TV estatal.

(Reportagem de Hossein Jaseb)

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