Para ministro de Israel, reunião de líderes foi vitória de seu país

Em encontro com Abbas e Obama, Netanyahu mostrou podersuportar às pressões e defender seus interesses

Agência Estado e Associated Press,

23 de setembro de 2009 | 11h28

O ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, afirmou nesta quarta-feira, 23, que o encontro entre líderes de Israel, dos EUA e da Autoridade Palestina mostrou que os israelenses podem resistir à pressão internacional para a interrupção das construções em assentamentos na Cisjordânia. Funcionários palestinos demonstraram decepção com o encontro de terça-feira em Nova York.

 

Os EUA aparentemente recuaram de sua exigência de que Israel interrompa todas as construções nos assentamentos na Cisjordânia. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, encontrou-se com o presidente dos EUA, Barack Obama, e com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Foi o primeiro encontro entre Netanyahu e Abbas desde a posse do israelense, em março deste ano. Não houve sinais de progresso nas conversas de paz.

 

Os palestinos afirmam que não retomarão as negociações, a não ser que Israel interrompa todas as construções em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Os árabes querem as duas áreas, mais a Faixa de Gaza, para seu futuro Estado independente. Todas essas terras foram capturadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

 

Em entrevista à Rádio Israel, Lieberman disse que seu governo mostrou que não é necessário "sempre se render" às pressões. "O que é importante para mim é que esse governo manteve suas promessas ao eleitor... e o fato é que esse encontro ocorreu", avaliou o ministro.

 

Obama e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, exigiram anteriormente a completa paralisação das construções nos assentamentos. No encontro de terça-feira, porém, Obama não foi explícito sobre o ponto. O enviado de Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, disse que a administração dos EUA não vê a completa interrupção dessas construções como precondição para a retomada das negociações.

 

Funcionários palestinos demonstraram sua frustração com Obama e pediram que ele reafirme sua posição. "Isso mostra as intenções negativas do governo israelense", afirmou Jibril Rajoub, alto funcionário do movimento Fatah, de Abbas.

 

A mídia israelense em grande parte retratou o encontro como uma futilidade, mas ressaltou o sucesso de Netanyahu em evitar a pressão anterior do governo Obama em relação aos assentamentos.

 

Aparentemente tentando agradar tanto sua coalizão linha-dura quando os EUA, Netanyahu se comprometeu em reduzir as construções nos assentamentos, por um período limitado. Segundo ele, as construções devem prosseguir em aproximadamente 3 mil residências, a maioria das quais já em andamento.

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