Para muitos soldados dos EUA, 2010 marca último Natal no Iraque

O coronel Lance Kittleson está ansioso por passar o Natal com sua família no ano que vem. As tropas norte-americanas estão saindo do Iraque sete anos e meio depois da invasão do Iraque que derrubou o presidente Saddam Hussein.

SERENA CHAUDHRY, REUTERS

25 de dezembro de 2010 | 17h31

Muitas tropas americanas ainda deixadas no Iraque mal podem esperar para voltar para casa. "Em 2003, repetidamente estendiam nossa estada aqui e não sabíamos se algum dia voltaríamos para casa. Agora ao menos sabemos que vamos pra casa em breve", disse Kittleson, um capelão, durante uma vigília à luz de velas com outros soldados para marcar o Natal.

"É hora de voltarmos para casa. Já estamos aqui há tempo suficiente. Os iraquianos estão fazendo o serviço deles", acrescentou.

Os Estados Unidos encerraram o combate no Iraque oficialmente no fim de agosto e cerca de 50 mil soldados ainda estão no país apoiando as forças de segurança do Iraque. Todas as tropas serão repatriadas até o fim de 2011, segundo um acordo de segurança entre os dois países.

Na província de Salahuddin, no norte do Iraque, muitos soldados acrescentaram um pouco de cor a seus uniformes no sábado, vestindo chapéus de Papai Noel e galhos de renas para se reunir a cristãos do mundo todo na celebração do Natal.

Os EUA chegaram a ter 170 mil soldados no auge da invasão mas dezenas de milhares já voltaram para casa. Joint Base Balad, uma das maiores bases militares norte-americanas no Iraque, ainda tem cerca de 7 mil soldados.

Alguns soldados que já passaram Natal no Iraque disseram que este ano eles puderam comemorar o dia mais abertamente graças a uma queda na violência.

Na base de Balad muitos soldados norte-americanos participaram de uma corrida de cinco quilômetros de manhã e depois promoveram um banquete de Natal.

Mas, apesar de a violência ter diminuído, bombas e assassinatos continuam a ser parte da rotina.

Ataques recentes têm também alvejado cristãos. Uma catedral no centro de Bagdá foi sitiada em outubro. O ataque acabou com 51 reféns e policiais mortos.

Soldados americanos na base Balad condenaram o ataque, mas a maioria disse que a violência diminuiu.

"Este é um momento de esperança... de trazer esperança para o Iraque, que eles (os iraquianos) vão assumir o controle e lhes vamos dar todos os instrumentos que eles precisam para ter sucesso", disse o tenente-coronel Kimberley Norris-Jones da reserva do exército na 108a divisão.

"Não vamos deixá-los num buraco, vamos deixá-los prontos para o sucesso."

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