Para ONU, Israel e Hamas estão cometendo 'crimes de guerra'

Alerta é da Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, que criticou a postura da comunidade internacional

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2014 | 05h58

GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) denuncia que os ataques de Israel contra escolas da entidade em Gaza, contra hospitais, locais de culto e contra uma estação de energia, podem ser considerados "crimes de guerra". O alerta é da Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, que indica que, até a manhã de hoje, mais de 1,2 mil palestinos já morreram, contra pouco menos de 60 israelenses. Para ela, porém, o Hamas também está cometendo "crimes de guerra" ao lançar mísseis de forma indiscriminada contra Israel.

Ela ainda criticou os EUA por não exercer uma postura mais firme de condenação ao comportamento do governo de Tel Aviv. 

"Israel tem obrigações diante do direito humanitário internacional", alertou. "Esses ataques podem ser considerados como crimes de guerra", declarou.  

"Esses não são fatos acidentais. Investigações já apontaram para isso antes. E parecem que são desafios deliberados às obrigações internacionais", indicou Pillay. "Essa impunidade não pode continuar."  

Há dois dias, uma segunda escola da ONU em Gaza, que estava sendo usada como abrigo para palestinos, foi destruída por um ataque de Israel, matando 15 pessoas.  

Pillay pede a inviolabilidade dos locais mantidos pela ONU em um conflito. Ela admitiu que a alegação de que o Hamas estaria usando as escolas para lançar mísseis não pode ser aceito. "Mas isso não absolve a outra parte de respeitar as leis", alertou. 

A representante da ONU ainda criticou a postura da comunidade internacional, apontando que é "imperdoável" que governos não tenham encontrado "forças políticas" para adotar as recomendações da entidade para pedir que os responsáveis sejam levados diante da Justiça.  

Apesar de atacar Israel, Pillay ainda "condenou'" os ataques do Hamas. "As crianças de Israel tem os mesmos direitos", completou. "Ao lançar mísseis de forma indiscriminada, o Hamas também está cometendo  violações". 

 

Ela também atacou especialmente a posição dos EUA. "Eles precisam fazer muito mais para parar as mortes e trazer as partes para negociações e colocar um fim na ocupação", disse. "Eles (os americanos) não apenas dão armas pesadas para Israel, mas também US$ 1 bilhão para um sistema anti-míssil para proteger sua população. Mas não existe essa proteção à população de Gaza", declarou.  

A Alta Comissária aponta que os americanos também precisam respeitar as leis humanitárias. "São em instâncias como essa que normas devem prevalescer", disse. 

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