Para palestinos, negociação indireta é última chance de paz

Diálogo com Israel será retomado com mediação dos EUA; conversas estão paralisadas há mais de 14 meses

Reuters,

08 de março de 2010 | 11h06

As negociações indiretas mediadas pelos EUA entre Israel e os palestinos serão a última chance de manter vivo o processo de paz no entre Israel e a Palestina, disse nesta segunda-feira o principal negociador palestino, Saeb Erekat.

 

Veja também:

linkIsrael autoriza construção de 112 novos apartamentos

"O relacionamento se deteriorou a um ponto em que os EUA estão tentando salvar o processo de paz com essa última tentativa. Por sinal, marquem minhas palavras, essa será a última tentativa para ver se essa pode ser uma ferramenta de decisões entre palestinos e israelenses", disse Saeb Erekat à rádio militar de Israel.

O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, reuniu-se na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, após ter se encontrado com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém, para tratar sobre o recomeço das negociações.

As duas partes concordaram em realizar contatos indiretos para reativar as conversas que estavam suspensas desde dezembro de 2008, dando força a uma tentativa do presidente norte-americano, Barack Obama, de encerrar décadas de conflito na região. "Hoje o presidente Abbas vai entregar uma resposta escrita à mão ao senador Mitchell sobre nossa aceitação à proposta de próximas negociações", disse Erekat à Reuters.

Futuro

Mas muitos observadores e políticos duvidam que as negociações - que devem ser mediadas por Mitchell, ao menos de início, entre Jerusalém e Ramallah - podem ter sucesso, após anos de conversas fracassadas.

Coincidindo com a renovada pressão por paz na região, Israel anunciou nesta segunda-feira que autorizou a construção de 112 novas casas em assentamentos judaicos na Cisjordânia.

A construção, segundo o governo israelense, faz parte de um projeto em andamento que não estava incluído na promessa de congelamento dos assentamentos que Netanyahu anunciou em novembro sob pressão dos EUA.

Abbas exigia uma paralisação total das construções nos assentamentos judaicos como condição para retomar as conversas com Israel, e considerou insuficiente a promessa de congelamento por 10 meses.

Mas a Organização pela Libertação da Palestina endossou as negociações indiretas, após uma declaração de apoio da Liga Árabe para negociações num prazo de 4 meses.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.