Para Teerã, novas sanções americanas não têm valor

Governo afirma que qualificação de "terrorista" à Guarda Revolucionária iraniana não tem valor ou efeito

Agências internacionais,

26 de outubro de 2007 | 08h36

O governo iraniano desafiou as novas sanções impostas pelos Estados Unidos na quinta-feira, 25, e declarou que a medida não tem "nenhum valor ou efeito" para Teerã. Washington impôs restrições econômicas a mais de 20 empresas iranianas, grandes bancos e indivíduos, bem como ao Ministério da Defesa, numa tentativa de forçar Teerã a parar o enriquecimento de urânio e suas atividades supostamente "terroristas".  Veja também: EUA impõem novo pacote de sanções ao IrãChanceler diz que arsenal nuclear do Irã não ameaçaria Israel As restrições recaem sobre a Guarda Revolucionária, força armada paralela do país, e a sua divisão de elite, Al-Quds, acusada pelos americanos de apoiar organizações terroristas e militantes xiitas no Iraque.  "As políticas hostis [dos Estados Unidos] da América contra a respeitosa nação iraniana e nossas organizações legais são contra os regulamentos internacionais e não têm valor", disse Moahmmad Ali Hosseini, porta-voz da chancelaria, à rádio estatal iraniana. "Tais políticas sempre fracassaram." Além disso, Hosseini negou novamente as acusações de Washington de que Teerã está tentando desenvolver um programa de armas nucleares e apóia grupos armados ativos no Iraque, e disse que "essas acusações provocam riso". Esta é a primeira vez que os EUA tomam medidas contra um ramo das Forças Armadas de um país soberano. Diante do fracasso das negociações diplomáticas com o Irã e da lentidão para que sanções econômicas mais rigorosas sejam aprovadas contra o país no âmbito do Conselho de Segurança da ONU, a Casa Branca adotou uma ação unilateral para diminuir o poderio de uma das mais influentes e ricas instituições iranianas.  As medidas punitivas dos EUA afetam três bancos de propriedade estatal: o Melli Iran, o Mellat e o Saderat Iran, acusados por Washington de financiar atividades terroristas. Oposição internacional Aliados como a Rússia se opõem a medidas do tipo, por acreditarem mais no diálogo no que na punição como forma de controlar o programa nuclear iraniano. O Ocidente teme que Teerã esteja desenvolvendo armas nucleares, o que a República Islâmica nega. Depois do anúncio das sanções, o vice-secretário de Estado americano, Nicholas Burns, acusou a Rússia e a China de dar apoio e ajuda aos militares iranianos. Em entrevista à BBC, ele disse que o governo russo deveria parar de vender armas ao Irã e que a China deveria suspender investimentos no país. "A China hoje é o principal parceiro comercial do Irã. É muito difícil para esses países dizer que nós estamos atacando sozinhos quando eles têm suas próprias políticas militares, dando apoio e ajuda para que o governo iraniano reforce seus próprios militares", afirmou Burns. Ao aumentar o isolamento iraniano do sistema financeiro internacional, a Casa Branca espera pressionar empresas e bancos de outras nações, principalmente da Europa, a desistir de realizar investimentos no país.  Teerã vem reagindo às sanções dos EUA e da ONU com desdém. O chefe da Guarda Revolucionária, general Mohammad Ali Jafari, respondeu à inclusão, em setembro, da força de elite em uma lista de organizações terroristas com uma provocação: "A corporação está, mais do que nunca, pronta para defender seus ideais de revolução", disse. O Irã não tem relações diplomáticas com os EUA desde a vitória da Revolução Islâmica, que derrubou o regime do Xá Mohamad Reza Pahlevi, um dos principais aliados de Washington no Oriente Médio.

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