Parlamento da Líbia se alia a general renegado para tentar impor autoridade

Em crise, o Parlamento eleito da Líbia declarou uma aliança formal com um ex-general renegado enquanto tenta impor alguma autoridade em um país que muitos temem estar descambando para uma verdadeira guerra civil.

AYMAN AL-WARFALLI E FERAS BOSALUM, REUTERS

20 de outubro de 2014 | 20h49

Três anos após a deposição de Muammar Gaddafi, o país produtor de petróleo está mergulhado no caos, com islâmicos e outras milícias lutando por territórios e influência e as forças armadas regulares reduzidas quase à impotência.

Uma facção tomou a capital, Trípoli, criando sua própria assembleia e gabinete e forçando o governo internacionalmente reconhecido a se refugiar no leste do país.

Khalifa Haftar, ex-general dos tempos de Gaddafi, é um de dezenas de comandantes de forças irregulares dando as cartas na nação desértica. Na semana passada, seus homens lançaram uma nova ofensiva contra as milícias islâmicas na cidade de Benghazi, no leste líbio.

A Câmara dos Deputados, o Parlamento eleito da Líbia transferido para Tobruk, no extremo leste, endossou a Operação Dignidade de Haftar contra os islâmicos, concedendo-lhe um papel oficial, disse o porta-voz legislativo, Farraj Hashem.

“A Operação Dignidade está liderando oficiais e soldados do Exército líbio... é uma operação do Exército líbio”, afirmou ele no fim do domingo.

A manobra parece contradizer pedidos anteriores da câmara para que todas as milícias se desarmassem para ajudar a restaurar a ordem e reerguer o Estado.

A decisão de apoiar Haftar também pode piorar o conflito entre a Câmara dos Deputados, aliada ao governo oficial do primeiro-ministro, Abdullah al-Thinni, e os novos governantes de facto de Trípoli.

Os dois organismos reconhecidos estão sediados no leste da Líbia desde que um grupo armado da cidade de Misrata, no oeste, tomou Trípoli em agosto e ali estabeleceu sua própria legislatura e governo.

A facção de Misrata denunciou Haftar como alguém leal a Gaddafi e que tenta iniciar uma contrarrevolução com outros militares do regime anterior. Haftar ajudou Gaddafi a tomar o poder em 1969, mas se desentendeu com o ex-líder nos anos 1980.

(Reportagem adicional de Robin Emmott, em Luxemburgo)

Tudo o que sabemos sobre:
LIBIAPARLAMENTOAUTORIDADE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.