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Parlamento de Israel aprova novo governo de Netanyahu

Gabinete recebe 69 votos a favor e 45 contra; direitista tornou-se premiê israelense pela segunda vez

Agências internacionais,

31 de março de 2009 | 17h47

O Parlamento israelense aprovou nesta terça-feira, 31, o novo governo de direta liderado por Benjamin Netanyahu, depois de seis horas de debate, com 69 votos a favor, 45 contra e cinco abstenções. Netanyahu se tornou primeiro-ministro de Israel pela segunda vez em 10 anos, depois que seu partido de direita, o Likud, emergiu como o mais forte para liderar uma coalizão após as eleições legislativas, vencidas pelo centrista Kadima.

 

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Imediatamente após a votação no Parlamento, começaram a tomar posse os ministros que integrarão o novo Executivo, que terá 30 pastas, um recorde na história do país.  Contra o novo governo, se  posicionaram 45 deputados do Kadima - ao qual pertence Tzipi Livni, chanceler do Executivo anterior -, os partidos de esquerda Meretz e Hadash, e as legendas árabes.

 

Na quarta-feira, às 3h30 (de Brasília), o primeiro-ministro em fim de mandato, Ehud Olmert, entregará a chefia do governo a Netanyahu, numa cerimônia que, pela primeira vez, acontecerá na residência do

presidente de Israel, Shimon Peres. Olmert foi forçado a deixar o cargo após ser envolvido em várias investigações por corrupção.

 

O novo gabinete é um grupo pouco coeso e turbulento, formando por judeus ultraortodoxos, partidos da linha-dura religiosa, extremistas laicos nacionalistas de direita e o centrista Partido Trabalhista, bem como o Likud. Para satisfazer seus novos parceiros e aliados, o novo premiê criou novas posições ministeriais - tantas que os marceneiros do Parlamento tiveram que trabalhar na madrugada desta terça-feira para alargar a mesa do gabinete para os novos ministros.

 

O líder do Likud gerou dúvidas em Washington e na União Europeia durante a campanha eleitoral, ao insinuar que interromperia as negociações de paz e expandiria os assentamentos israelenses na Cisjordânia. O fato de designar o ultranacionalista Avigdor Lieberman como seu ministro de

Relações Exteriores também gerou críticas.

Desde que foi incumbido por Peres para formar o governo, contudo, Netanyahu suavizou sua retórica, com o objetivo de formar uma coalizão que incluísse o centro. Na semana passada, conseguiu atrair o Partido Trabalhista, do ministro da Defesa Ehud Barak, para o governo e prometeu manter as negociações de paz com os palestinos.

Israelenses e palestinos recebem o novo governo com uma mistura de esperança e temor. Muitos não sabem e nem imaginam o que será. "Eu não sei se isso será bom. É esperançoso. Eu não sei se é de

direita ou de esquerda. É algo diferente", disse a israelense Monica Haber, que vive no assentamento judaico de Nokdim, na Cisjordânia.

O porta-voz do grupo de resistência islâmica Hamas, que controla a Faixa de Gaza, disse que o novo governo aumentará os riscos para a população palestina e a região inteira. "Esse governo racista e extremista levará a região do ruim ao péssimo", afirmou Fawzi Barhoum.

 

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