Parlamento iraquiano aprova novo governo chefiado por Haider Abadi

O parlamento iraquiano aprovou na noite desta segunda-feira o novo governo tendo como primeiro-ministro Haider Abadi.

REUTERS

08 de setembro de 2014 | 20h14

O ministro de defesa não foi nomeado, mas Abadi prometeu fazer a indicação em uma semana. Adel Abdel Mehdi, do Conselho Supremo Islâmico, foi nomeado ministro do Petróleo, enquanto Ibrahim Jafaari, ex-primeiro-ministro, foi indicado ministro das Relações Exteriores.

Os vice-primeiros-ministros nomeados foram Hoshiyar Zebari, curdo e único ministro das Relações Exteriores pós Saddam Hussein, e Saleh Mutlaq, um muçulmano secular sunita que teve o mesmo cargo no governo anterior.

O Parlamento aprovou para os cargos cerimoniais de vice-presidentes o último primeiro-ministro Nuri al-Maliki, o ex-premiê Iyad Allawi, o secular xiita e último porta-voz parlamentar Usama al-Nujaifi. Os três têm sido considerados rivais políticos.

Abadi, como Maliki do partido islamista xiita Dawa, prometeu retomar as relações de Bagdá com o Curdistão iraquiano, adotar um programa de descentralização e reconstruir o exército iraquiano.

O governo iraquiano enfrenta crises múltiplas, incluindo a captura de áreas muçulmanas sunitas do país por combatentes do Estado Islâmico e outros grupos armados.

Abadi pretende unificar o país e derrotar o Estado Islâmico, cujas ofensivas no verão do hemisfério norte pelo norte do Iraque têm ameaçado dividir sua nação entre linhas sectárias.

Abadi prometeu "permitir que todas as pessoas no Iraque participem da libertação das cidades e províncias que foram tomadas por grupos terroristas... e trazer de volta a segurança e a estabilidade.

"O novo primeiro-ministro advertiu: "Qualquer formação armada fora da autoridade do Estado está proibida."

No entanto, Abadi foi cuidadoso ao se referir a temas sensíveis de sua seita de maioria xiita, que está lutando por sua sobrevivência contra o Estado islâmico.

Abadi saudou a rede de milícias xiitas e cidadãos comuns, chamados de voluntários, que se mobilizaram neste verão para impedir a entrada dos combatentes do Estado islâmico em Bagdá. Os grupos tornaram-se controversos, com figuras políticas sunitas e líderes tribais acusando-os de matar cidadãos sunitas comuns.

Olhando para o futuro, Abadi propôs que os voluntários devem ser incorporados em “uma organização da guarda nacional".

(Reportagem de Ned Parker)

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