Parlamento iraquiano decide o futuro de pacto com os EUA

Políticos votam acordo sobre a retirada das tropas em 2011; proposta ainda deve passar por referendo

Agências internacionais,

26 de novembro de 2008 | 09h49

O Parlamento iraquiano vota nesta quarta-feira, 26, o futuro do pacto que estabelece para o fim de 2011 a data para a retirada das tropas americanas do país, embora a proposta ainda precise de aprovação em referendo.   A imprensa iraquiana prevê que a maior parte dos deputados do país votará a favor do acordo de segurança com os Estados Unidos que regulará a presença das tropas americanas no país a partir de janeiro de 2009 e que abrirá a porta para sua eventual retirada. No entanto, deixa em aberto a probabilidade de que a votação, inicialmente marcada para esta quarta, seja adiada por causa das dificuldades existentes para a formação de um consenso entre todas os grupos iraquianos.   O jornal governista Al-Sabah afirma em sua primeira página que os esforços anteriores realizados pelos vários líderes políticos iraquianos indicam que "a balança está mais inclinada para a aprovação do que para o veto". Porém, a publicação não descarta a possibilidade de que a sessão, prevista para as 10h (horário de Brasília), seja adiada até quinta por causa das restrições de alguns partidos políticos sobre o acordo negociado desde março entre Bagdá e Washington.   O jornal independente Al-Dostur prevê que caso o Parlamento não aprove nesta quarta o acordo, é possível que a votação seja adiada para depois do encerramento da festa muçulmana do Sacrifício, que será celebrada na segunda semana de dezembro. Já o independente Al-Mashreq afirmou que "há muitas chances" de aprovação do acordo na sessão parlamentar. A publicação atribui a afirmação às conversas travadas nos momentos que antecedem a convocação para conseguir um consenso entre os diferentes grupos políticos iraquianos.   O polêmico acordo, recebido com reservas tanto por grupos xiitas quanto por sunitas, regulará a presença das forças americanas no Iraque a partir do final deste ano, quando termina o mandato concedido pelo Conselho de Segurança da ONU. O acordo, já aprovado por ambos os governos, agora é discutido no Parlamento iraquiano. Ele estabelece que as tropas dos EUA parem de percorrer as ruas do país até meados de 2009, e deixem totalmente o Iraque até 31 de dezembro de 2011. De acordo com o tratado, os soldados norte-americanos só poderão fazer prisões se tiverem mandato judicial, e empresas dos EUA ficarão sujeitas à lei local.   O projeto proíbe a utilização do território iraquiano como base para lançar ataques contra países vizinhos a garante imunidade jurídica para os soldados americanos, exceto em casos de crimes graves cometidos fora do horário de serviço. Os soldados que cometerem delitos serão julgados por um comitê formado por iraquianos e americanos.

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