Parlamento iraquiano frustra Bush e entra em recesso

O Parlamento iraquiano entrou em recesso de um mês na segunda-feira, diante da falta de acordo entre seus líderes sobre uma série de leis que os EUA consideram essenciais para estabilizar o país. Os parlamentares dizem que nem receberam os projetos do governo. Os deputados já haviam adiado o início de suas férias de verão, que normalmente começam em julho. "Não temos nada a discutir no Parlamento, nenhuma lei ou emenda constitucional, nada do governo. As diferenças entre as facções políticas adiaram as leis", disse o parlamentar curdo Mahmoud Othman à Reuters. A legislatura deve ser retomada em 4 de setembro, apenas duas semanas antes de o comandante das forças dos EUA no Iraque, general David Petraeus, e o embaixador norte-americano em Bagdá, Ryan Crocker, apresentarem ao Congresso dos EUA um relatório sobre a situação do país, já refletindo a ampliação de contingente determinada neste ano pela Casa Branca. Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse que o recesso parlamentar iraquiano não significa a paralisação dos trabalhos de reconciliação. "O processo de reconciliação não entra em recesso. Os líderes iraquianos vão continuar a trabalhar no sentido de uma acomodação política em que sunitas, xiitas e curdos possam todos trabalhar juntos no governo de unidade", afirmou. O recesso deixa o governo Bush com pouco tempo para demonstrar que o envio de quase 30 mil soldados adicionais ao Iraque serviu para tranqüilizar a situação e dar fôlego aos líderes iraquianos para resolverem suas diferenças. "(O presidente George W.) Bush não pode realisticamente ir ao Congresso e dizer que precisa manter as tropas dos EUA porque o governo iraquiano está fazendo um bom trabalho, porque o governo está em grande medida ausente. Isso coloca (Bush) numa situação muito difícil", disse Gareth Stansfield, analista da influente entidade britânica Chatham House. Petraeus já declarou que os comandantes consideram que será necessário manter uma força substancial no Iraque pelo menos até meados de 2009. Washington pressiona o governo iraquiano a acelerar a aprovação de leis que sirvam, entre outros fins, para distribuir as riquezas do petróleo e reduzir as restrições políticas a antigos membros do partido Baath (que foi a base de apoio do regime de Saddam Hussein). A Casa Branca considera que isso atrairia a minoria sunita para o processo político, reduzindo assim o conflito sectário contra a maioria xiita. Um adido de imprensa dos EUA em Bagdá disse que é importante que, durante o recesso, os líderes iraquianos "continuem ativamente envolvidos na legislação relevante e tentem alcançar um acordo nos pontos mais complicados". (Reportagem adicional de Peter Graff, Aseel Kami e Paul Tait)

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