Parlamento israelense votará lei que dificulta devolução de terras ocupadas

Se aprovada, negociações de paz que envolvam territórios teriam que ser aprovadas por parlamento e referendo

Efe

14 de julho de 2010 | 09h55

JERUSALÉM - A Comissão de Assuntos Internos do Parlamento israelense (Kneset) aprovou nesta quarta-feira, 14, uma proposta de lei para que qualquer acordo de paz que inclua a devolução de territórios anexados por Israel só pode ser aprovada por 61 deputados e um referendo popular.

 

A polêmica lei, que busca bloquear qualquer iniciativa para devolver a colina de Golan a Síria ou partes de Jerusalém aos palestinos, passou hoje pelo último escopo na Comissão parlamentaria, que a enviou ao Parlamento para que seja votada em segunda e Tercera instância.

 

Na Guerra dos Seis Dias de 1967, Israel ocupou a colina de Golan da Síria; Jerusalém Oriental e Cisjordânia da Jordânia; e Gaza e o Sinai do Egito.

 

Desses últimos territórios se retirou completamente em 2005 e 1982.

 

Dos que ainda estão sob sua ocupação, a colina de Golan e Jerusalém Oriental são os mais polêmicos a nível interno, porque ambos foram anexados mediante leis: Golan de facto em 1981 e Jerusalém Oriental um ano antes.

 

Desde a metade dos anos noventa, diversos deputados tentaram passar uma lei que demandaria consenso popular e maioria especial no Parlamento para devolvê-los e em 1999 foi aprovada uma versão ,ais branda da que agora está em votação.

 

O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estudou no domingo a atual proposta de lei e pediu para adiar o voto da Comissão, ao que seu presidente, o deputado Yariv Levín, do partido governante Likud, se opôs prontamente porque se tratava da quinta vez.

 

Netanyahu, informa a edição eletrônica do diário Yediot Aharonot, quer evitar que seja aprovada pelas repercussões internacionais que possa ter.

 

Haim Orón, deputado da frente pacifista Meretz, advertiu que se chegar a ser aprovada, nem sírios nem palestinos irão querer entrar em negociações sérias de paz com Israel porque estarão conscientes das dificuldades de recuperar seus territórios pela via da negociação.

 

Por sua parte, Karmel Shama, do Likud, considerou que "até agora o Exército defendia Golan dos inimigos de fora, e esta lei está destinada a defende-la dos inimigos de dentro".

 

A secretaria do Parlamente ainda não ficou uma data para a votação crucial.

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