Parte de Gaza ficará sem luz por fechamento de fronteiras

Isolamento promovido por Israel bloqueia combustível utilizado nos geradores e corta energia elétrica

Agência Estado e Associated Press,

17 de agosto de 2007 | 19h46

Uma companhia geradora palestina anunciou nesta sexta-feira, 17, que faltará energia elétrica em partes da região central da Faixa de Gaza porque Israel fechou um entroncamento de fronteira por onde passa o combustível utilizado no funcionamento dos geradores. Diversos bairros da Cidade de Gaza passaram algumas horas sem luz depois que a Companhia Geradora de Gaza, responsável pelo fornecimento de cerca de 25% da energia elétrica consumida no território, anunciou que três de seus quatro geradores teriam de ser desligados por falta de óleo diesel. "Não recebemos combustível por dois dias", disse Rafic Malikha, porta-voz da companhia, em entrevista coletiva concedida na Cidade de Gaza. "Os israelenses estão impedindo os veículos de se aproximarem da fronteira." Um porta-voz do Exército de Israel informou que o entroncamento de fronteira está fechado desde quarta-feira por "razões de segurança". Ele disse que não poderia entrar em detalhes sobre o assunto. De acordo com Malikha, desde quarta-feira Israel impede os caminhões de combustível de se aproximarem do entroncamento de Nahal Oz. Com isso, as reservas de óleo diesel da companhia, suficientes para apenas dois dias, já se esgotaram, prosseguiu.  Não estava imediatamente claro quantos dos 1,4 milhão de habitantes de Gaza seriam afetados pela falta de energia. A companhia atende à Cidade de Gaza e a outras áreas da região central do território palestino litorâneo. O restante da Faixa de Gaza é atendido pela Companhia Elétrica de Israel e pelo Egito. Praticamente todos os bens de primeira necessidade - como comida, combustível e matérias-primas - entram em Gaza por Israel, que mantém controle sobre todos os entroncamentos em sua fronteira. As passagens são freqüentemente fechadas pelos israelenses sob a alegação de terem recebido informações sobre tentativas de ataques planejados por radicais palestinos. Israel ocupou a Faixa de Gaza durante quase quatro décadas até retirar-se em setembro de 2005, quando desmantelou todos os seus assentamentos judaicos e bases militares mantidos na região e retirou-se do território palestino litorâneo no âmbito de um unilateral promovido pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon. Entretanto, Israel manteve o controle sobre as fronteiras terrestres, o espaço aéreo e as águas territoriais de Gaza. O governo israelense autorizou a Autoridade Nacional Palestina (ANP) a operar um terminal na fronteira com o Egito, mas o funcionamento do local depende da presença de observadores da União Européia (UE) e está sujeito a alertas de segurança emitidos por Israel. Todas as passagens de fronteira de Gaza estão fechadas desde junho, quando o movimento islâmico Hamas assumiu o controle total do território depois de cinco dias de violentos combates com forças do movimento secular rival Fatah. Somente comboios humanitários têm autorização para entrar. A Organização das Nações Unidas (ONU) tem advertido para a crise humanitária em Gaza, onde a pobreza acentuou-se drasticamente desde que junho, com a alta do desemprego e da parcela da população dependente de ajuda humanitária. Também nesta sexta-feira, a aviação israelense disparou dois mísseis contra lançadores de foguetes palestinos no norte de Gaza, informou o Hamas. Segundo o grupo, os aviões erraram os alvos, Israel confirmou ter lançado mísseis contra a região depois de militantes palestinos terem disparado pelo menos 15 projéteis rústicos na direção de Israel. Não há informações sobre vítimas em nenhum dos casos. Enquanto isso, o Hamas recolheu nesta sexta as armas em mãos de um grande e influente clã de Gaza que seqüestrou em repórter da BBC e o manteve em cativeiro por quatro meses. Integrantes do clã Doghmush entregaram 60 armas ao grupo islâmico na quinta-feira, anunciou hoje Saber Khalifa, porta-voz do Hamas. Ainda de acordo com ele, os integrantes do clã envolvidos no seqüestro serão levados à justiça local. O grupo permitiu que os integrantes do clã mantivessem algumas armas com a condição de que elas sejam usadas exclusivamente contra Israel, e não contra os próprios palestinos, prosseguiu Khalifa.

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