Partido governista de Israel escolhe o sucessor de Olmert

Chanceler Tzipi Livni, favorita nas pesquisas, enfrenta ex-ministro da Defesa Shaul Mofaz na liderança da legenda

Agências internacionais,

17 de setembro de 2008 | 07h09

Dois políticos de peso estão na disputa pela liderança do Kadima, partido centrista que lidera o governo de coalizão em Israel. Na prática, o que está em jogo é o cargo de primeiro-ministro, pois o vencedor será encarregado de formar um novo governo. A a popular ministra do Exterior, Tzipi Livni - que promete impulsionar o processo de paz com os palestinos -, enfrenta o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz. Ex-ministro da Defesa e odiado pelos palestinos, Mofaz é considerado um linha-dura. O atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, investigado em um caso de corrupção, espera apenas o resultado para apresentar a sua renúncia.   Veja também: Inexperiência é barreira para a popular Livni   Pesquisas indicam Livni como a favorita para a liderança do Kadima. A chanceler também afirma ser capaz de formar um novo governo sem a necessidade de antecipar as eleições gerais, marcadas para 2010. Isso porque se o sucessor de Olmert não conseguir apoio de partidos menores para formar uma coalizão governista, a votação será antecipada, provavelmente para o início do ano que vem. Neste caso, de acordo com as pesquisas, o partido direitista Likud, liderado por Binyamin Netanyahu, venceria.   Olmert se viu obrigado a renunciar por envolvimento com escândalos de corrupção e o Kadima, que existe há três anos, realiza sua primeira eleição primária para escolher um novo líder para substituí-lo. O premiê está sendo investigado pelas acusações de ter recebido ilegalmente US$ 150 mil de um empresário americano e de ter pedido dinheiro a vários departamentos do governo para as mesmas viagens ao exterior quando era prefeito de Jerusalém.   Os postos de votação abriram às 10 horas local (4 horas de Brasília), com a abertura das 114 urnas onde os 70 mil filiados da legenda votarão. A previsão do encerramento da eleição é para as 16 horas (horário do Brasília). Para ser eleito, o próximo líder do Kadima terá de obter mais de 40% dos votos para evitar um segundo turno - que ocorrerá em uma semana, se necessário. Nas últimas sondagens feitas por jornais israelenses, Livni tinha 49% das intenções de voto, enquanto Mofaz aparecia com 28%. Mas Mofaz diz que, de acordo com seu próprio método de pesquisa, ele tem 43,7% dos votos.   Se eleita, Livni, de 50 anos, será a segunda mulher no cargo após Golda Meir, que governou Israel entre 1969 e 1974. Formada em direito, ela foi agente do Mossad - o serviço secreto externo de Israel - e começou na política em 1999, quando foi eleita para o Parlamento. Como chanceler, ela liderou as negociações de paz com os palestinos. Mesmo se Livni for eleita, poucos arriscam a dar palpites sobre o que ocorrerá após as primárias. Primeiro, porque muitos no Kadima duvidam da habilidade da chanceler em obter apoio de outros partidos para a coalizão. Ela pediu a saída de Olmert depois da publicação de um relatório apontando falhas na guerra contra o Líbano, em 2006. Ele não saiu. Nem ela.   O ministro dos Transportes, ex-chefe das Forças Armadas e ex-ministro da Defesa,  tem 60 anos, nasceu no Irã e ficou conhecido por suas duras táticas que acabaram com uma revolta palestina que explodiu depois que as conversações de paz falharam, em 2000. As pesquisas apontam Mofaz em segundo lugar na corrida pelo voto do partido.   Há ainda incertezas sobre a própria força do Kadima, formado há menos de três anos pelo então premiê Ariel Sharon, afastado em 2006 após um derrame e ainda em coma. Assim que o vencedor da eleição for anunciado - provavelmente na quinta -, ele terá 42 dias para obter o apoio da maioria dos 120 parlamentares e formar um novo governo.   Quem é Tzipi Livni   Ministra das Relações Exteriores e chefe das negociações com os palestinos, Livni é vista como a sucessora mais provável de Olmert pelos membros do Kadima. A mulher mais poderosa em Israel desde a primeira-ministra Golda Meir, nos anos 1970, Livni, de 50 anos, pediu a Olmert que renunciasse no ano passado, depois de uma reportagem impiedosa sobre a guerra israelense no Líbano, em 2006. Mas ele não atendeu ao pedido. Nem ela. Filha de um importante sionista de direita, ela é ex-agente de inteligência. As pesquisas de opinião apontam que ela ganhará a votação dentro do Kadima.   Quem é Shaul Mofaz   Ministro dos Transportes, ex-chefe das Forças Armadas e ex-ministro da Defesa, Mofaz é nascido no Irã e conhecido por suas táticas duras contra o levante palestino que aconteceu depois do fracasso nas negociações de paz em 2000. As pesquisas de opinião mostram que ele está atrás de Livni na corrida dentro do Kadima.   (Com The New York Times)   Matéria atualizada às 7h50.

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