Partidos em ascensão frustram planos de Netanyahu para novo governo

- Uma surpreendente aliança entre a extrema-direita e estrelas do centro político israelense que rejeitam os privilégios de judeus ultraortodoxos está frustrando os esforços do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para formar um novo governo.

Reuters

03 de março de 2013 | 11h42

Mais de um mês depois da eleição parlamentar em Israel, Netanyahu ainda está sem uma nova coalizão e as suas esperanças de obter o apoio de ultraortodoxos, parceiros tradicionalmente leais a ele, vêm sendo desafiadas por um pacto entre os novatos Yair Lapid e Bennett Naftali.

Lapid, um ex-âncora de TV que lidera o partido centrista Yesh Atid, e Bennett, líder milionário do Lar Judaico, legenda da extrema-direita, ficaram respectivamente em segundo e quarto lugar na eleição de 22 de janeiro, impulsionados em parte por sua oposição ao direito dos ultraortodoxos de não cumprirem o serviço militar.

Seus dois partidos controlam 31 das 120 cadeiras do Parlamento, um número expressivo, equivalente ao do grupo de Netanyahu, o Likud-Beitenu, que venceu a eleição, mas com um percentual menor do que o esperado, o que faz com que ele tenha dificuldades em formar uma coalizão para um terceiro mandado.

Lapid, de 49 anos, ganhou amplo apoio entre os jovens e os eleitores palestinos secularistas. Bennett, de 40 anos, rejeita qualquer futuro Estado palestino e tem forte apoio entre os colonos israelenses na Cisjordânia ocupada.

No entanto, apesar de estarem em campos diferentes no espectro político, os dois líderes concordam com a necessidade de "compartilhar a carga nacional" --a rejeição aos privilégios dos ultraortodoxos.

Ambos dizem que só participarão de um governo de Netanyahu se o outro também for incluído. Mas Netanyahu precisa do apoio de pelo menos um deles para conseguir maioria parlamentar.

"Minha palavra é minha garantia", Bennett escreveu em sua página no Facebook, neste domingo, prometendo manter o seu pacto de tudo-ou-nada com Lapid.

Essa posição, na prática, mantém os partidos religiosos de fora de um potencial gabinete de governo e corrói as esperanças de Netanyahu de uma ampla coalizão, da qual façam parte aliados que apoiaram suas políticas em troca de generosos financiamentos do Estado para instituições religiosas.

"A principal razão de eu não ter terminado a formação de um governo é porque há um boicote de um setor em Israel, e isso é inaceitável, do meu ponto de vista", disse Netanyahu no sábado, acusando Lapid e Bennett de excluir os ultraortodoxos.

Netanyahu, de 63 anos, fez as declarações durante uma audiência dura, formal, com o presidente de Israel, Shimon Peres, que aprovou o pedido do primeiro-ministro de mais tempo para formar um governo.

O período de 28 dias para formar a coalizão já expirou e se Netanyahu --agora com mais 14 dias extras-- não romper o impasse nas negociações até 16 de março, Peres poderá escolher outro candidato ou convocar nova eleição.

Até agora, Netanyahu recrutou apenas um partido, o centrista Hatnua, liderado pela ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni. Ele iria manter novas conversações com Bennett ainda neste domingo.

(Reportagem de Jeffrey Heller)

Tudo o que sabemos sobre:
ISRAELNETANYAHUCOALIZAO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.