Passeata em Bagdá protesta contra novo muro dos EUA

Obra pretende isolar o enclave árabe sunita de Adhamiya, no leste de Bagdá, de comunidades xiitas

Reuters,

06 de outubro de 2007 | 15h01

Mais de mil iraquianos saíram em passeata no oeste de Bagdá neste sábado, 6, numa rara manifestação pública contra o muro que, segundo eles, os militares dos Estados Unidos planejam construir em volta de seu bairro. Carregando bandeiras do Iraque e cartazes condenando o muro, os manifestantes do distrito de al-Washash, de maioria xiita, gritavam: "Não, não ao muro. Não, não aos EUA". Os militares norte-americanos provocaram ultraje internacional no início deste ano quando começaram a erguer uma alta barreira de concreto para isolar o enclave árabe sunita de Adhamiya, no leste de Bagdá, das comunidades xiitas vizinhas. Os militares dos EUA não comentaram a passeata deste sábado imediatamente, mas ressaltaram que estão erguendo muros de concreto em pelo menos cinco bairros de Bagdá. O objetivo é proteger as regiões de atiradores, e a ação faz parte da ofensiva de segurança lançada em meados de fevereiro e que envolve um contingente extra de 30 mil soldados norte-americanos. A ofensiva é vista como a última tentativa dos militares dos EUA para conter a violência sectária entre a maioria xiita e a minoria árabe sunita, e evitar uma guerra civil aberta no Iraque. Embora a iniciativa seja creditada pela queda nas baixas de civis e norte-americanos em setembro deste ano, carros-bombas e matanças sectárias ainda ocorrem diariamente. Em al-Washash, alguns pequenos blocos de concreto foram usados para fechar uma rua e os manifestantes dizem que os EUA estão planejando substituí-los com um muro na próxima semana. "Os invasores planejam construir um muro em volta do nosso bairro, mas vemos isso como um cerco à região", disse um líder tribal que não se identificou. "Essa é uma área segura, e esta é uma manifestação pacífica contra essa atitude." Embora a passeata tenha ocorrido pacificamente, a polícia disse que dois civis foram feridos em confrontos com o exército iraquiano mais tarde. Ataques aéreos dos EUA no bairro, em setembro, mataram pelo menos 14 pessoas, incluindo uma mulher, e destruíram 11 casas, disseram a polícia iraquiana e moradores. Os militares dos EUA afirmaram que seus soldados responderam ao fogo de atiradores posicionados em telhados na região.

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