Paz com Israel só com saída de territórios ocupados, diz Síria

Para ministro de Relações Exteriores, 'Israel sabe desde o princípio quais são os requisitos para a paz'

Efe

22 de março de 2009 | 10h29

O ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moualem, disse que não haverá uma paz global com Israel se as Colinas de Golã ou os territórios libaneses e palestinos não forem desocupados.

 

Moualem fez estas declarações numa entrevista à rede de TV Al Jazira, exibida na noite deste sábado, 21, e retransmitida neste domingo.

 

"Mesmo se este Governo (israelense) disser que se retira totalmente (dos territórios sírios ocupados) e que estabelecerá a paz, diremos a ele com toda clareza que esta paz não pode ser global sem a retirada dos territórios libaneses e palestinos ocupados, e sem um Estado palestino com Jerusalém como capital", afirmou Moualem.

 

Israel e Síria já se enfrentaram militarmente três vezes: na guerra de 1948-49, após a fundação do Estado israelense; na dos Seis Dias, em 1967, e na do Yom Kippur, em 1973.

 

Durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a Cisjordânia e Gaza (territórios palestinos), as Colinas de Golã (Síria), a Península do Sinai (Egito) e a parte oriental de Jerusalém.

 

"Israel sabe desde o princípio quais são os requisitos para a paz. A Síria não renunciará a uma polegada de seu território. Eles sabem disso desde 1991", acrescentou o ministro sírio.

 

Síria e Israel começaram a negociar um acordo de paz após a Conferência de Madri de 1991, mas os contatos foram suspensos em 2000.

 

Em maio do ano passado, as conversas foram retomadas, mas de forma indireta e com a mediação da Turquia. Porém, foram novamente congeladas após a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza entre 27 de dezembro e 18 de janeiro.

 

Sobre as relações entre os países árabes e as tentativas de uma reconciliação, Moualem ressaltou que é preciso superar a divisão entre os que assinaram a paz com Israel (Egito e Jordânia) e os que mantêm uma postura mais dura, como a Síria e o Catar.

 

"É preciso respeitar as diferenças e levar em conta o lugar geográfico do país e sua particularidade política", argumentou o chanceler.

 

"Não se pode comparar a situação do meu país, em guerra com Israel, com a de outro Estado árabe que tem um acordo de paz com Israel", disse Moualem em alusão ao Egito, que em 1979 normalizou suas relações com o Estado judeu.

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