Peregrinação a Meca recomeça com ritual sagrado

Autoridades trocam manto em mesquita sagrada; 3 milhões seguem para o monte em que Maomé fez discurso

Efe,

07 de dezembro de 2008 | 09h10

As autoridades sauditas cumpriram no amanhecer deste domingo, 7, o rito anual de mudar a capa de seda preta bordada com fios de ouro que cobre a Caaba, a construção mais sagrada para os muçulmanos, localizada no pátio da grande mesquita de Meca. A cerimônia deste domingo coincide com o segundo dia da peregrinação islâmica, ao longo do qual os quase três milhões de fiéis que participam da peregrinação subirão até o Monte Arafat, onde o profeta Maomé pronunciou seu último discurso. Com sete voltas entorno da Caaba, os fiéis marcam o início e o fim dos cinco dias de peregrinação, que começaram ontem e terminam no próximo dia 10.   Foto: AP   O emir de Meca, Khaled al-Faiçal, destacou o êxito da operação de subida dos peregrinos até o monte. Segundo ele, não houve nenhum incidente de "destaque" no segundo dia da peregrinação, tanto em relação à segurança quanto ao que se refere à circulação dos fiéis. Faiçal, citado por uma agência de notícias saudita, explicou que a movimentação dos peregrinos, que avançam em hordas de dezenas de milhares de pessoas, transcorre de maneira ordenada e com toda normalidade.   Foto: AP   O Monte Arafat ficou completamente coberto pelos fiéis que cumprem os ritos com vestes brancas. Os peregrinos se manterão de pé sobre o morro até o pôr do sol. Depois, seguirão para a localidade vizinha de Muzdalifah, onde passarão a noite. Nessa localidade, catarão pedras para jogar na segunda-feira contra as três colunas que se encontram no Vale de Mina e que simbolizam as tentações do diabo.   Enquanto quase três milhões de peregrinos acordavam para completar o segundo dia da peregrinação, um novo pano de seda com bordados de ouro de 14 metros de altura por 47 metros de comprimento substituía a velha capa do edifício, que, segundo a tradição islâmica, seria o centro do mundo.   Foto: AP   A capa, conhecida como kisua e costurada em uma fábrica de Meca construída em 1977 só para este fim, custou 20 milhões de reais sauditas (US$ 5,3 milhões) e vários meses de trabalho. O véu negro e dourado, de 658 metros quadrados e que cobre os quatro lados da Caaba, também é decorado com versículos do Corão. A tradição de cobrir a Caaba, que abriga a "pedra negra", considerada pelos muçulmanos um pedaço do paraíso, se remonta à era pré-islâmica e teve seqüência depois que Maomé começou a pregar os fundamentos do islã, no século VII da era cristã, explicou à imprensa o xeque Abdelaziz al-Shibi, encarregado de preservar e proteger o edifício.   Embora atualmente o pano seja trocado apenas uma vez ao ano, a mudança da capa que cobre o prédio, cuja construção foi iniciada por Adão e concluída por Abraão, era feita tantas vezes quanto fosse necessário, disse Shibi. Antes de a Arábia Saudita se encarregar pessoalmente da elaboração anual do pano, sua confecção era feita no Egito, até que, em 1962, o presidente desse país, Gamal Abdel Nasser, decidiu suspender o envio do tecido a Meca.   A Caaba, para onde milhões de muçulmanos de todo o mundo dirigem suas orações diariamente, abriga em seu interior uma pequena sala, na qual três colunas de madeira sustentam um teto a nove metros do chão. No lado oriental da Caaba fica incrustada a "pedra negra", que os fiéis tocam e beijam com fervor durante sua viagem a Meca.

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