Peregrinos retornam a suas casas após ritual sagrado no Iraque

Centenas de milhares deperegrinos xiitas deixaram a cidade sagrada iraquiana deKerbala no domingo, ao final de um ritual sagrado anual que,este ano, aconteceu sem a violência sectária que o marcou noano passado. Vários ataques com bombas contra peregrinos a caminho doritual mataram mais de 30 pessoas nos últimos dias, mas oritual propriamente dito, em Kerbala, passou-se em paz, segundoas autoridades. No ano passado, milicianos xiitas entraram emchoque com a polícia durante a peregrinação, provocando grandestiroteios nas ruas de Kerbala. Na conclusão do ritual Sha'abiniya, durante a noite de luacheia, os fiéis lotaram as margens de um afluente do rioEufrates, colocando velas acesas na água sob o luar. Em seguida os peregrinos começaram a embarcar em ônibuspara deixar Kerbala, situada a 80 quilômetros ao sul de Bagdá.A cidade foi extremamente vigiada esta semana por cerca de 40mil policiais e soldados iraquianos, com o apoio de atiradoresde elite, helicópteros e cães farejadores de bombas. A peregrinação marca um dos dias mais sagrados do islamismoxiita: o aniversário do nascimento do imã Mohammed al Mehdi. Osxiitas acreditam que o retorno do "Imã Escondido", quedesapareceu no século 9, vai inaugurar a paz na Terra. As multidões de xiitas que fazem a peregrinação todos osanos evidenciam a influência da maioria religiosa iraquiana,cinco anos após a invasão liderada pelos EUA em 2003. A participação nas peregrinações xiitas vem crescendo muitodesde a queda de Saddam Hussein, árabe sunita que reprimia asmanifestações xiitas e controlava as lideranças xiitas. Oseventos religiosos xiitas têm sido alvos frequentes de ataquesde militantes sunitas. Um atentado suicida matou 19 peregrinos perto da cidade deIskandariya na quinta-feira. Eles estavam a caminho de Kerbala. "Este ano a peregrinação foi muito boa, excetuando oincidente em Iskandariya", comentou Yousif Mohammed Ali, 41anos, de Basra, antes de retornar a sua cidade. Em outros ataques a peregrinos, nove foram mortos nasexta-feira numa estação de ônibus em Balad, ao norte de Bagdá,e outros seis em Bagdá no sábado. Mas não houve repetição dos enfrentamentos sectários xiitasdo ano passado, que converteram a área em volta do santuário emzona de batalha durante dias e levaram o influente clérigoxiita Moqtada al Sadr a declarar um cessar-fogo de sua milícia,o exército Mehdi.

SAMI AL-JUMAILI, REUTERS

17 de agosto de 2008 | 12h49

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