Peres pede mobilização de israelenses contra fanáticos

O presidente Shimon Peres instou os israelenses nesta terça-feira a se manifestarem contra fanáticos judeus ultraortodoxos que tentam impor seu rígido código religioso em uma cidade perto de Jerusalém.

JEFFREY HELLER, REUTERS

27 de dezembro de 2011 | 13h20

"Estamos lutando pela alma da nação e pela essência do Estado", disse Peres em declarações transmitidas de um evento em sua residência oficial.

O caso de uma menina de oito anos de idade, que na semana passada disse que homens ultraortodoxos acusaram-na de se vestir de maneira imprópria e cuspiram nela quando ela ia para a escola, aumentou os temores em Israel de um aumento do extremismo religioso.

Gritando "nazistas, nazistas", manifestantes religiosos em Beit Shemesh, onde ocorreu o incidente, entraram em confronto com a polícia na segunda-feira, enviada para evitar que fanáticos atacassem equipes de televisão que relatavam a tensão na cidade, a cerca de 30 quilômetros de Jerusalém.

As autoridades excitaram ainda mais a raiva entre os fanáticos, que defendem a segregação por gênero, ao retirar um cartaz que mandava que mulheres evitassem certas ruas em áreas habitadas por ultrarreligiosos.

Ativistas pró-democracia marcaram uma marcha às 18h (horário local) em Beit Shemesh para protestar contra a segregação de mulheres e a violência, que incluiu o apedrejamento de repórteres e policiais.

"Hoje é um teste em que toda a nação terá que se mobilizar para resgatar a maioria das garras de uma pequena minoria que está acabando com nossos valores mais reverenciados", disse Peres.

"Ninguém tem o direito de ameaçar uma menina, uma mulher ou qualquer outra pessoa do jeito que for", disse. "Eles não são os senhores desta terra".

Algumas linhas de ônibus em bairros religiosos de Jerusalém já são segregados, com as mulheres se sentando no fundo dos veículos. Sob a lei israelense elas não precisam fazer isso, mas sofrem abuso verbal de passageiros homens por se recusarem.

Alguns rabinos em Jerusalém exigiram que lojas evitassem colocar fotografias de mulheres ou empregá-las em qualquer loja patrocinada pelos ultraortodoxos.

Embora componham apenas 10 por cento da população de 7,7 milhões de maioria judia de Israel, os ultraortodoxos exercem influência política em um país onde nenhum partido já obteve maioria parlamentar e onde há uma predominância de governos de coalizão.

Muitos rabinos insistiram que os incidentes em Beit Shemesh foram atos de uma minoria. Alguns rabinos, entre eles membros do partido Shas, parceiro da coalizão ultraortodoxa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, uniram-se a ele ao condenar a violência.

Sarit Ramon, uma moradora secular de Beit Shemesh, disse que a situação na cidade, que tem uma mistura delicada de imigrantes religiosos e israelenses que abraçam um estilo de vida mais moderno, é "catastrófica há anos".

"Isso não começou hoje, mas agora, infelizmente, quando uma criança é abusada e cuspida, criou barulho", disse ela à Reuters. "Mas quando eu disse que cuspiram em mim há um ano e meio, as pessoas levantaram a sobrancelha, e ficou por isso mesmo."

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