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Persépolis ganha versão 2.0 para denunciar eleições do Irã

História em quadrinhos de Marjane Sartrapi tenta falar 'ao mundo' sobre os protestos por denúncias de fraude

Gisele Silva, do estadao.com.br,

03 de julho de 2009 | 14h14

Persépolis, a história em quadrinhos de Marjane Sartrapi adaptada ao cinema, ganhou versão atualizada na internet (http://www.spreadpersepolis.com/) para "tentar dizer ao mundo" o que aconteceu no Irã após as eleições que deram a vitória a Mahmoud Ahmadinejad. Indícios de fraude marcaram o resultado do pleito e as ruas do país foram tomadas por protestos, prisões e mortes. À época, a própria Marjane declarou que a reeleição de Ahmadinejad era um "golpe de Estado".

 

Mas, por trás da ideia de Persépolis 2.0, estão dois jovens de origem iraniana. Sina e Payman moram na Ásia e, como muitos iranianos exilados, não conseguiram ficar indiferentes ao que estava acontecendo em seu país. Sina, em entrevista por e-mail ao estadao.com.br, afirmou que eles escolheram a HQ de Marjane porque os eventos que a autora descreve (e mais especificamente a Revolução iraniana de 1979) são muito similares ao que está acontecendo hoje no país. "Nos dois casos há milhões de iranianos protestando contra injustiça e repressão".

 

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A versão web de Persépolis foi lançada há seis dias e, segundo Sina, já foi acessada por 50 mil pessoas em 150 países. "Quando saiu o resultado das eleições, nos sentimos deprimidos e desamparados sendo que poucos dias antes estávamos cheios de esperança de que as mudanças no Irã viriam mais rápido do que imaginávamos. Nós discutimos várias ideias que podiam ajudar os não iranianos a entender e discutir o que está acontecendo no nosso país", afirmou Sina.

 

Para Sina, o apoio internacional é o que está fazendo a diferença no Irã, mesmo que o resultado da eleição não tenha sido anulado como pleiteava o candidato a oposição Mir Hussein Mousavi. "Quando o Irã foi substituído no noticiário pela morte de Michael Jackson, isso abalou muito o ânimo de quem protestava no país", disse Sina.

 

Ao site do jornal francês 20minutes, a editora francesa de Marjane, l'Association, afirmou que a autora de Persépolis aprovou a iniciativa dos dois jovens "sem hesitar" porque a nova versão tem o objetivo pedagógico de esclarecer o que acontece no Irã.

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