Jon Nazca / Reuters
Jon Nazca / Reuters

Petroleiro iraniano em Gibraltar zarpa, após pedido de retenção dos EUA ser rejeitado

Estados Unidos solicitou que navio fosse impedido de sair, mas Gibraltar recusou; embarcação ficou retida por suspeita de transportar petróleo para a Síria

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2019 | 21h04

O petroleiro iraniano que estava retido em Gibraltar zarpou neste domingo, 18, depois que o enclave britânico no sul da Espanha rejeitou uma solicitação dos Estados Unidos para mantê-lo na costa.

As autoridades de Rochedo, localizado no extremo sul da Espanha, rejeitaram por meio de comunicado o pedido feito com base nas sanções previstas por uma lei. "Em virtude do direito europeu, Gibraltar não pode fornecer a assistência solicitada pelos Estados Unidos", afirmou o documento. Esta é a segunda vez que o enclave britânico rejeita uma solicitação de colaboração americana nesta crise que envolve Washington, Teerã e Londres.


Segundo o site de acompanhamento do tráfego marítimo Marine Traffic, o petroleiro, retido desde 4 de julho nas águas de Gibraltar, levantou âncora e navegava rumo ao sul. As autoridades do enclave britânico não confirmaram de imediato sua saída.

O "Grace 1" mudou de nome para "Adrian Darya" e trocou sua bandeira panamenha, com a qual estava navegando, pela iraniana, para seguir viagem.

Por que o petroleiro iraniano foi retido em Gibraltar

As autoridades de Gibraltar interceptaram o navio-tanque Grace 1 em 4 de julho com  a suspeitade que ele estivesse transportando petróleo para a Síria, país sob embargo da União Europeia. Na última quinta-feira, 15, o cargueiro foi autorizado a ir embora, depois de Teerã ter garantido que sua carga de 2,1 milhões de barris não seria levada para a Síria.

Durante o impasse diplomático, os Estados Unidos entraram com várias ações judiciais para que petroleiro fosse imobilizado, e o Departamento de Justiça emitiu uma ordem de confisco baseada nas sanções americanas contra o Irã.

Em nota, a Justiça de Gibraltar alegou que "o regime de sanções da União Europeia contra o Irã é muito menos abrangente do que o dos Estados Unidos". Além disso, a norma europeia "proíbe especificamente a aplicação de certas leis dos EUA", como sanções ao Irã, acrescentou o comunicado.

Uma parte da tripulação foi substituída, incluindo o capitão, já que os Estados Unidos ameaçaram recusar vistos para "membros da tripulação que navios que ajudem os Guardiães Revolucionários a transportar petróleo do Irã".

A captura do Grace 1 gerou uma grave crise entre Londres e Teerã, que desmentiu que o navio tivesse a Síria como destino. Quinze dias depois da captura de Grace 1, um petroleiro britânico, o Stena Impero, também foi retido no estreito de Ormuz.

O Irã interceptou outros dois petroleiros, agravando a tensão em uma região onde várias embarcações foram atacadas ou danificadas por minas e onde um drone americano foi derrubado pelo Irã, enquanto Washington endurecia as sanções contra a República Islâmica.

Os Estados Unidos tentaram pela primeira vez em 15 de agosto persuadir Gibraltar a manter o petroleiro, enviando um pedido de assistência judicial quando fosse libertado. Gibraltar explicou ter respondido aos EUA, naquele mesmo dia, que "era impossível atender à demanda" com base nas informações fornecidas por Washington.

Ao contrário dos Estados Unidos, a União Europeia não considera os Guardiães da Revolução uma organização terrorista e não aplica as mesmas sanções que Washington, completou a Justiça de Gibraltar. Em 2018, o presidente americano Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, negociado por seu antecessor Barack Obama com Irã, França, Rússia, Reino Unido, China e Alemanha.

Os europeus tentam convencer o Irã a continuar a respeitar o acordo, tentando limitar o impacto das sanções dos EUA contra todas as empresas que negociam com o país islâmico, independentemente de sua nacionalidade. /AFP

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