Piloto da força aérea síria pede asilo na Jordânia

Um piloto da força aérea síria voou em seu avião de caça MiG-21 ao longo da fronteira com a Jordânia e pediu asilo nesta quinta-feira, na primeira deserção envolvendo um avião militar desde o início do levante contra o presidente Bashar al-Assad.

SULEIMAN AL-KHALIDI E KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

21 de junho de 2012 | 12h07

O piloto pousou seu avião na base aérea militar Rei Hussein, a 80 quilômetros a nordeste de Amã, e imediatamente pediu asilo, disseram autoridades jordanianas à Reuters.

"Ele está sendo interrogado neste momento", informou o ministro de Estado da Informação da Jordânia, Samih al-Maaytah.

A deserção vai aumentar a moral do movimento rebelde que luta contra Assad num momento em que as forças do governo estão intensificando os esforços para esmagar a revolta e os esforços internacionais de paz estão paralisados.

Milhares de soldados desertaram do governo nos 15 meses desde que a revolta eclodiu e eles agora formam a espinha dorsal do exército rebelde. Mas, ao contrário das revoltas do ano passado na Líbia e Iêmen, nenhum membro do círculo íntimo de Assad rompeu com ele.

Em outro lugar nesta quinta-feira, o Exército sírio manteve seu bombardeio de áreas centrais de Homs, apesar de uma trégua temporária ter sido acordada para permitir que os trabalhadores humanitários retirassem doentes e feridos.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que seus trabalhadores de ajuda tinham sido forçados a voltar atrás no caminho pela cidade velha de Homs por causa de tiroteios, mas iriam tentar novamente no final do dia.

"O bombardeio do outro lado da cidade tem sido incansável desde a noite passada, intensificando esta manhã. O Exército não tem a intenção de aliviar a situação humanitária. Eles querem Homs destruída", disse o ativista Abu Salah à Reuters de Homs.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, uma organização a favor da oposição, informou que 31 pessoas foram mortas em todo o país durante o dia, com pelo menos 10 deles em Homs.

A televisão estatal síria informou que o piloto que desertou era o coronel Hassan Hamada. A comunicação com o avião foi perdida enquanto ele estava em uma missão de treinamento, perto da fronteira com a Jordânia, disse.

Fontes da oposição afirmaram que Hamada é um muçulmano sunita de 44 anos da província de Idlib e levou sua família escondida para a Turquia antes de sua deserção.

Sua cidade natal Kfar Takharim tem sido repetidamente bombardeada nos últimos meses e sofreu intensa artilharia e bombardeios de helicópteros nos últimos dias, segundo militantes da oposição que falaram com a família.

Muitos membros da Força Aérea, bem como soldados do Exército, são da maioria sunita da Síria, embora oficiais da Inteligência sejam, em grande parte, alauítas, a seita minoritária à qual Assad e sua família pertencem e que constitui a sua base de poder.

O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos diz que a Força Aérea tem 365 aviões de combate capazes, incluindo 50 caças MiG-23 Flogger e MiG-29 Fulcrum e 40.000 combatentes -um reflexo da esmagadora vantagem militar que Assad tem sobre seus inimigos mal equipados.

A deserção mais importante até agora no conflito foi a do coronel Riad al-Asaad em julho do ano passado, que ajudou a criar o movimento rebelde Exército Livre da Síria depois de buscar refúgio na Turquia.

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