Plano de unidade da oposição síria enfrenta resistência

Um plano para unir os grupos sírios de oposição começou a desandar tão logo foi posto sobre a mesa, segundo participantes das negociações.

RANIA EL GAMAL E REGAN DOHERTY, Reuters

08 de novembro de 2012 | 10h01

Países árabes e ocidentais apoiavam as discussões realizadas em Doha com o objetivo de forjar uma coalizão de grupos rebeldes e de políticos exilados contra o presidente Bashar al Assad.

Mas, em acaloradas discussões na noite de terça-feira, alguns integrantes do Conselho Nacional Sírio (CNS), formado por políticos exilados, criticaram Rihadh Seif --influente membro do CNS responsável por costurar a iniciativa--, com alguns acusando-o de impor uma pauta de interesses dos EUA para o Conselho, dominado por políticos de orientação islâmica.

"Seif não foi nada convincente ontem. Ele disse ao Conselho que iria levar a iniciativa adiante com ou sem eles", disse uma fonte do CNS.

Seif propôs que o CNS ocupasse 24 de 60 vagas numa assembleia rebelde que ficaria encarregada de escolher um governo provisório após a eventual queda de Assad, que há 19 meses reprime uma rebelião na Síria.

Muitos membros do CNS consideraram que o grupo ficaria sub-representado com esse sistema, mas as fontes também informaram que a Irmandade Muçulmana, mais influente grupo dentro do CNS, sinalizou seu apoio.

"Há tensões e temores dentro do CNS de que eles deixem de ser relevantes se concordarem com a iniciativa. Eles querem garantias", disse uma fonte do CNS. "Mas o Conselho é pragmático. Eles estão negociando."

Muitos governos que apoiam a rebelião síria --como os de Turquia, Catar, Arábia Saudita e EUA-- manifestam impaciência com as divisões internas do CNS, e exigem que o grupo dê mais espaço àqueles que, no dizer da secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, estão "nas linhas de frente, lutando e morrendo".

Seif, que espera obter reconhecimento oficial e apoio militar à oposição, deseja que sua Iniciativa Nacional Síria reúna formalmente políticos do exílio com representantes de grupos locais e forças rebeldes que operam dentro da Síria.

Governos ocidentais relutam em oferecer apoio explícito aos rebeldes sírios, temendo que uma oposição dividida e ineficaz deixe espaço para a implantação de um futuro governo islâmico.

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