Dan Balilty/AP
Dan Balilty/AP

Polícia de Israel intensifica segurança em Jerusalém

Rumores de que judeus depredariam local sagrado para muçulmanos gerou suspeita de confrontos

Efe e Associated Press,

05 de outubro de 2009 | 11h27

O governo de Israel intensificou nesta segunda-feira, 5, a vigilância dentro e fora da Antiga Jerusalém com milhares de policiais com o objetivo de impedir novos distúrbios no Monte do Templo, ou Nobre Santuário, local sagrado para judeus e muçulmanos.

 

A Polícia teve enfrentamentos esporádicos durante vários dias com manifestantes muçulmanos dentro e fora do complexo. Não houve feridos com gravidade, mas anteriormente houve mortes no local em confrontos.

 

Milhares de peregrinos judeus foram a pé ao local, que conhecem como Monte do Templo, para orar em frente ao Muro das Lamentações, o monumento mais sagrado do judaísmo. As orações desta segunda concluíam o feriado do Sukkot, que dura um semana. Turistas e homens com mantos brancos de oração ocupavam a praça oposta ao muro, enquanto agentes policiais patrulhavam e faziam a vigilância da área.

 

A Polícia restringiu a entrada dos peregrinos muçulmanos ao complexo, alegando que os protestos dos líderes árabes do país poderiam provocar violência. O porta-voz policial, Micky Rosenfeld, disse que somente homens com mais de 50 anos eram autorizados a entrar no local. Para as mulheres, não havia restrições.

 

Na única confusão do feriado, um pequeno grupo de palestino atirou pedras contra um grupo de peregrinos judeus fora da cidade Antiga, mas não houve feridos. Os recentes enfrentamentos parecem estar vinculados com rumores entre os palestinos de que os judeus extremistas planejavam danificar o local, onde fica a mesquita de Al-Aqsa, uma das mais veneradas pelos árabes.

 

Assentamentos

 

A construção de novos assentamentos, principal questão que impede a retomada das negociações de paz entre Israel e Palestina, voltou a ser assunto nesta segunda-feira, já que a ONG israelense Peace Now denunciou que colonos do Estado Judeu começaram a construir mais de 800 casas nos últimos três meses em assentamentos judaicos no território palestino da Cisjordânia.

 

Segundo um relatório, as construções acontecem em 34 assentamentos, 16 dos quais ficam a leste do muro de separação construído por Israel. Além das mais de 800 casas que começaram a ser erguidas em julho, outras 55 construções estão prestes a serem finalizadas e os alicerces para outros 50 começam a ser fundados.

 

A Peace Now atribuiu o aumento no número de casas em construção à pressão dos Estados Unidos para que Israel congele a atividade nos assentamentos, já que o Estado judeu quer um acordo que impeça apenas construções novas, e não as que já estão em andamento. "As construções que já tiverem começado (cerca de 2.500) não farão parte do congelamento", escreveu a ONG.

 

A Peace Now acrescentou que, "para que o congelamento das construções seja efetivo, não é suficiente evitar as novas autorizações dadas pelo ministro da Defesa". "Um congelamento ativo requer que o governo proíba todo o trabalho de construção, inclusive de infraestruturas nos assentamentos".

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu a Israel que se comprometa a interromper a construção nos assentamentos, condição que os palestinos exigem para voltar a negociar a paz. Israel, por sua vez, impõe como condição o reconhecimento de Israel como um Estado judeu.

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