Polícia de Israel invade mesquita de Jerusalém após protestos

A polícia antidistúrbios de Israel entrou nesta quarta-feira no complexo da Mesquita de al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém, para remover do local palestinos que atiravam pedras contra o Muro das Lamentações, local de orações do judaísmo, informou um porta-voz da polícia.

DAN WILLIAMS, REUTERS

22 de setembro de 2010 | 11h20

Os palestinos se refugiaram na mesquita, terceiro local mais sagrado do islamismo. Não há informações sobre vítimas ou confrontos violentos no local, disse o porta-voz.

A tensão na cidade aumentou depois que um guarda israelense matou nesta quarta-feira um palestino em um local conflituoso de um bairro de Jerusalém Oriental -- a parte árabe da cidade --, desencadeando confrontos de rua e acusações, por parte de palestinos, de que Israel está minando as negociações de paz patrocinadas pelos Estados Unidos.

Segundo a polícia israelense, o guarda disse em uma investigação dos fatos que abriu fogo contra dezenas de palestinos que bloqueavam e apedrejam seu carro, antes da madrugada em Silwan, um bairro árabe onde fica um pequeno enclave de colonos judeus.

Dois outros palestinos ficaram feridos pelos disparos, disseram moradores, acrescentando que o guarda trabalha como segurança dos colonos.

Moradores de Silwan saíram às ruas depois do incidente, revirando carros e atirando pedras na polícia e em pedestres.

A polícia afirmou ter respondido com gás lacrimogêneo, jatos de água e granadas de efeito moral. Três civis e um policial israelenses ficaram feridos nos confrontos, informou a polícia de Israel.

Centenas de pessoas compareceram ao funeral do palestino morto, que tinha 32 anos e cinco filhos.

Confrontos esporádicos se espalharam pela Cidade Velha de Jerusalém, onde fica a Mesquita de al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do islamismo, e o Muro das Lamentações, o local de orações mais reverenciado do judaísmo,

"Esta violenta escalada das forças de ocupação israelenses representa medidas destrutivas que destroem a programação de construção da paz", disse o porta-voz do governo palestino, Ghassan Khatib, acusando a polícia de impedir ambulâncias de chegarem a Silwan para atender os moradores feridos.

"Essas ações ilegais de permanente inserção de colonos fortemente armados no coração dos bairros palestinos resultam em provocações diárias e em violência contra palestinos desarmados e desprotegidos, e abrem caminho para que tais crimes prossigam", acrescentou.

Israel tomou da Jordânia a parte oriental de Jerusalém, bem como a Cisjordânia, durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e considera toda a Jerusalém sua capital -- status não reconhecido internacionalmente.

Palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital do Estado que pretendem criar na Cisjordânia e Faixa de Gaza.

(Reportagem adicional de Ali Sawafta)

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