Polícia e manifestantes entram em confronto na capital do Irã

A polícia entrou em confronto com simpatizantes do líder da oposição iraniana, Mirhossein Mousavi, em Teerã na quarta-feira, quando uma marcha celebrando os 30 anos da invasão da embaixada dos Estados Unidos ficou violenta, disseram testemunhas.

REUTERS

04 Novembro 2009 | 09h06

O site reformista Mowjcamp disse que a polícia abriu fogo contra os manifestantes na praça Haft-e Tir, mas não houve confirmação independente.

"Algumas pessoas ficaram feridas", disse o Mowjcamp, acrescentando que também houve protestos em outros locais, como na cidade de Shiraz.

A Guarda Revolucionária do Irã e a milícia aliada Basij advertiram a oposição para que evitasse usar marchas anti-Estados Unidos para reviver protestos contra o governo clerical, depois da contestada eleição presidencial de junho.

"A polícia entrou em confronto com centenas de manifestantes. Eles gritavam: 'Morte aos ditadores'. A polícia usou cassetetes para dispersá-los", disse uma testemunha. Os iranianos geralmente gritam "Morte aos Estados Unidos" para marcar o aniversário da tomada da embaixada.

Os tumultos depois da eleição de junho, que deram ao presidente Mahmoud Ahmadinejad um segundo mandato, foram os piores no Irã desde a queda do xá há três décadas.

Milhares de seguranças iranianos se reuniram nas ruas de Teerã na quarta-feira para evitar as marchas da oposição. Líderes oposicionistas como Mousavi e Mehdi Karoubi, que disputaram as eleições contra Ahmadinejad, pediram a seus simpatizantes que fossem às ruas protestar contra o governo, apesar das advertências da polícia iraniana sobre "reuniões ilegais".

O Mowjcamp disse que Karoubi estava no protesto de quarta-feira. "Ele está andando na direção da antiga embaixada americana", dizia o site.

Outra testemunha disse que a polícia disparou gás lacrimogêneo contra a multidão e prendeu pelo menos cinco pessoas.

O presidente dos EUA, Barack Obama, usou o aniversário da crise dos reféns para pedir a Teerã que fizesse concessões sobre seu programa nuclear, dizendo que o país precisa virar a página do passado e forjar uma nova relação com os EUA.

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