Polícia iraquiana realiza operações em redutos do Exército Mehdi

Policiais iraquianos realizaram operaçõesem redutos da milícia Exército Mehdi, comandada pelo clérigoxiita Moqtada al-Sadr, na cidade ao sul de Kut, naquarta-feira, perseguindo homens armados que tinham entrado emchoque com forças de segurança um dia antes. Várias autoridades das forças de segurança iraquianasafirmaram que os agressores eram integrantes do Exército Mehdi,que deveria estar cumprindo um cessar-fogo. O chefe do gabinetede Sadr em Kut, no entanto, disse que os homens armados eram"fora-da-lei" sem relação com o clérigo. Sadr renovou seu cessar-fogo no mês passado, mas, no fim desemana, divulgou uma declaração afirmando a seus seguidores queesses poderiam se defender caso fossem atacados. Até os combates de terça-feira, que, segundo autoridades daárea da saúde, mataram 13 pessoas, não havia ocorrido nenhumagrande violação da trégua. O tenente-coronel Sudad Jamil, membro da polícia de Kut,disse que os policiais controlavam agora os bairros de AwarSadr, al-Izza, Al-Shuhada e al-Zahra, todos redutos do ExércitoMehdi, e que tinham começado a vasculhar casas e a instalarpostos de controle. Um quinto bairro no qual o Exército Mehdi possui umapresença ativa, o al-Jihad, havia sido isolado, afirmou Jamil.O tenente-coronel não forneceu detalhes sobre o que ocorria alijá que o bairro localiza-se fora da área de sua unidade. Não hánotícia sobre combates na cidade. "Nós limpamos quatro bairros e prendemos um grupo decombatentes do Exército Mehdi, entre os quais um líderimportante", disse outra autoridade da polícia, o tenente Azizal-Amara, que comanda uma unidade de ação rápida. Segundo Amara, os homens detidos e interrogados negaram terviolado o cessar-fogo e afirmaram ter agido em legítima defesa. No entanto, o chefe de polícia de Kut, major-generalAbdul-Hanin al-Amara, disse em uma entrevista coletiva que osdetidos haviam contado pertencer a um movimento religioso,sugerindo não terem ligações com Sadr. Não foram fornecidosmaiores detalhes. RELATOS CONFLITANTES Há relatos conflitantes sobre o motivo dos conflitos. A polícia iraquiana afirmou que o embate começou nasegunda-feira à noite, após um ataque com morteiros contra abase militar norte-americana Delta, na área. Uma força conjunta formada por soldados dos EUA e do Iraquefoi enviada para os bairros de onde os tiros de morteiro teriampartido. Combatentes do Exército Mehdi entraram em conflito comessa força. Porém, em um comunicado divulgado na noite de terça-feira,as Forças Armadas dos EUA disseram que unidades especiaisnorte-americanas tinham entrado em ação para auxiliar umapatrulha de segurança iraquiana e que foram atacadas por umgrande número de "supostos combatentes criminosos de milícia". Um ataque aéreo destruiu um furgão carregado com armas eexplosivos. Uma unidade das Forças Especiais investiu contraoutros dois veículos que transportavam metralhadoras, matandovários combatentes. Uma autoridade dos serviços de saúde de Kut, que não quister sua identidade revelada, afirmou que 13 pessoas tinhammorrido nos embates de terça-feira, entre as quais doispoliciais, três crianças e uma mulher. Abu Sadek, chefe do gabinete de Sadr em Kut, negou quemembros do Exército Mehdi tenham participado do conflito."Esses homens eram fora-da-lei. Eles não fazem parte doExército Mehdi", disse. O cessar-fogo selado por Sadr, que o anunciou pela primeiravez em agosto, tem sido apontado por comandantes das ForçasArmadas dos EUA como um dos motivos para a redução no número deataques sectários ocorridos entre a maioria xiita do país e ossunitas. Essa onda de violência levou o Iraque à beira de umaguerra civil. No entanto, membros do Exército Mehdi reclamam da trégua,afirmando que ela tem sido usada pelos militaresnorte-americanos e por facções xiitas rivais para atacá-los.Vários deles foram detidos. (Reportagem adicional de Imad al-Khozaie em Diwaniya,Jaafar al-Taie em Kut, e Ahmed Rasheed, Aseel Kami, WaleedIbrahim, Paul Tait e Mohammed Abbas em Bagdá) REUTERS FE

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