Polícia israelense prende líder de assentamento na Cisjordânia

Prefeito da colônia de Beit Arieh tentou impedir ação policial de fiscalizar paralisação de novas construções

Agência Estado e Associated Press,

02 de dezembro de 2009 | 13h56

A polícia de Israel deteve nesta quarta-feira, 2, o prefeito de um assentamento judaico na Cisjordânia. A detenção ocorreu depois de forças de segurança terem entrado na comunidade para garantir que fosse cumprida a paralisação das obras na colônia.

 

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O prefeito Avi Naim, do assentamento de Beit Arieh, região central da Cisjordânia, foi detido sob a acusação de perturbar um policial durante o cumprimento de seu dever, segundo um porta-voz dos assentados. Ele disse que Naim e outros assentados bloquearam a entrada do assentamento quando as tropas chegaram para cumprir mandados para que fossem paralisadas as construções.

 

A manifestação dos assentados foi o primeiro incidente sério desde que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na semana passada um congelamento de dez meses na construção de novas casas nos assentamentos judaicos mantidos por Israel na Cisjordânia ocupada.

 

Os líderes dos assentamentos afirmaram que desafiarão a ordem, que Netanyahu diz ser um gesto para ganhar a confiança dos palestinos a fim de retomar as conversas de paz.

 

Diplomacia

 

Buscando acalmar os assentados, Netanyahu afirmou na terça-feira que o congelamento de dez meses não será renovado. "Nós retomaremos as obras no fim do congelamento", disse ele em discurso, referindo-se aos assentados como "nossos irmãos e irmãs" e "uma parte integrante de nosso povo".

 

Confrontar os assentados pode ajudar Netanyahu a persuadir os céticos palestinos e a administração do presidente dos EUA, Barack Obama, de que seu governo está firme na decisão de retomar o diálogo.

 

Os palestinos se recusam a negociar, afirmando que o anúncio de Netanyahu foi um engodo, pois ele não paralisou construções em Jerusalém Oriental. Os palestinos reivindicam essa parte da cidade, sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos, como futura capital de seu Estado independente.

 

Enquanto isso, o jornal israelense Haaretz noticiou em sua edição desta quarta um aumentou acentuado no número de moradores árabes de Jerusalém Oriental que perderam seus direitos de residência em 2008.

 

De acordo com o diário, o Ministério de Interior de Israel revogou no ano passado os direitos de residência de 4.577 moradores árabes de Jerusalém. O número é mais de 20 vezes superior à média anual dos últimos 40 anos.

 

Os palestinos que vivem em Jerusalém, aos contrário dos que moram na Cisjordânia, possuem direito de residência, o que permite a eles transitar livremente por Israel e ter acesso aos serviços sociais e de saúde do país. O Ministério de Interior recusou-se a pronunciar-se sobre os números publicados pelo Haaretz.

 

Tanto israelenses quanto palestinos reivindicam Jerusalém como capital. A cidade - sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos - foi capturada por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Anos mais tarde, o governo israelense anexou a cidade e a declarou sua capital "eterna e indivisível". As iniciativas israelenses, no entanto, são rechaçadas pela comunidade internacional, que defende uma solução negociada.

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