Polícia lança bombas de gás contra opositores no Irã

Incidente ocorreu durante sermão liderado por Rafsanjani, principal aliado do candidato Mir Hussein Mousavi

17 de julho de 2009 | 08h26

Foto: AP 

 

TEERÃ - Forças de segurança do Irã lançaram bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes nesta sexta-feira, 17, para dispersar centenas de manifestantes da oposição reunidos na Universidade de Teerã para as tradicionais orações de sexta. O sermão contou com a participação do candidato derrotado Mir Hossein Mousavi e foram conduzidas pelo ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, considerado o principal apoio do líder opositor. Segundo a agência de notícias Reuters, ao menos 15 pessoas foram presas.

 

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O incidente aconteceu enquanto Rafsanjani destacou, durante o sermão, a necessidade de que o povo iraniano recupere a confiança perdida após as eleições presidenciais passadas, e pediu às autoridades para libertar os detidos durante os distúrbios ocorridos após o pleito. Mousavi, que contesta a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad por alegar que houve fraude na votação, estava sentado na primeira fila em sua primeira aparição em evento oficial desde o pleito. A televisão pública, que transmitiu o sermão, emitiu imagens de um dos candidatos derrotados nas eleições, Mahdi Karroubi, mas não de Mousavi nem do ex-presidente reformista Mohamad Khatami, que tinham anunciado sua presença no local.

 

A oposição preparou para esta sexta uma dramática demonstração de poder durante as preces de sexta-feira na Universidade de Teerã. Esta foi a primeira vez que Rafsanjani fez o sermão depois da votação presidencial. O aiatolá prometeu uma "solução" para a crise política iraniana e ressaltou a importância do papel do povo na república islâmica, sem o qual esta "não continuará de pé". "Tudo neste povo depende do voto do povo", disse, antes de pedir a libertação dos detidos e indenizações para as vítimas dos distúrbios que abalaram o país após umas eleições qualificadas de fraudulentas pela oposição, e que deixaram pelo menos 20 mortos, centenas de feridos e mais de mil detidos. "Na atual situação, não é necessário manter as pessoas em prisões, deveríamos permitir que essas pessoas retornem para suas famílias".

 

 

 

Do lado de fora da universidade, a polícia lançava bombas de gás lacrimogêneo nos partidários de Mousavi, que gritavam slogans opositores e pediam pela libertação dos detidos nos protestos. Esta foi a maior manifestação contra o governo desde o os protestos na semana após as eleições. Testemunhas confirmaram que 15 pessoas foram detidas. Um grande efetivo das forças de segurança ocupava os arredores da universidade horas antes das orações. Muitos membros da milícia pró-governo Basij também estavam na região.

 

A eleição presidencial de junho provocou os maiores protestos no Irã desde a revolução de 1979. Pelo menos 20 pessoas morreram nos confrontos. Desde 12 de junho, as orações de sexta foram dominadas por simpatizantes de Ahmadinejad, que insistiram na validade da reeleição. Rafsanjani, que lidera duas poderosas instituições estatais, regularmente conduz os sermões semanais, mas falou pela primeira vez nesta sexta.

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