Política nuclear não será alterada por resolução da ONU, diz Irã

Seis países se reunem para produzir projeto que estabelece sanções ao país; decisão será transmitida em breve

Efe,

22 de janeiro de 2008 | 16h47

Teerã minimizou nesta terça-feira, 22, a importância de uma possível nova resolução do Conselho de Segurança da ONU impondo sanções ao Irã, e considerou que isso "não afetará" a população da República Islâmica.   O porta-voz do governo, Gholam-Hossein Elham, comentou desta maneira a reunião que as seis potências envolvidas nas discussões acerca do programa nuclear iraniano estão celebrando nesta terça em Berlim. O objetivo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China) mais a Alemanha é produzir um projeto para uma nova resolução com sanções ao país.   Os ministros de Relações Exteriores desses seis países esperam terminar o projeto para transmiti-lo "nos próximos dias" ao Conselho.   Tal medida é em grande parte um reflexo da descrença americana, e de alguns países europeus, perante à afirmativa iraniana de que seu projeto nuclear tem fins pacíficos.   A decisão acontece mesmo após a divulgação de um relatório das agências de inteligência americanas afirmando que Teerã cancelou em 2003 seu programa para o desenvolvimento de uma bomba nuclear. Ainda assim, o presidente George W. Bush tem insistido repetidas vezes que a República Islâmica é uma ameaça, pois, na sua visão, ficou provado no mesmo relatório que o país possuía um projeto para a construção do armamento. Segundo o presidente, esse programa pode ser retomado a qualquer momento.   A Rússia e a China, no entanto, defendem uma postura mais livre, que permita a continuidade do programa nuclear iraniano.   Remessa de urânio   A Rússia tem interesses na manutenção do programa nuclear iraniano, dado que é responsável pela construção de uma usina no país. Nesta terça-feira, a empresa responsável pela construção da instalação enviou um novo carregamento de urânio enriquecido para o Irã.   A AtomStroyExport, que constrói a usina de Bushehr às margens do Golfo Pérsico, deve enviar no total cerca de 180 contêineres de urânio 235 enriquecido até fevereiro deste ano.   O envio do combustível ao Irã acontece sob o controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e Teerã assegura que começará a injetá-lo em Bushehr assim que receber todas as remessas, possivelmente em fevereiro.   As autoridades de Teerã anunciaram em dezembro que essa usina atômica funcionará ainda este ano com a metade de sua capacidade de produção.   O início da operação de Bushehr, de 1.000 megawatts de potência, foi atrasada em várias ocasiões por problemas no financiamento do projeto, com um valor estimado de entre US$ 800 milhões e US$ 1,2 bilhão.

Tudo o que sabemos sobre:
IrãEstados UnidosPrograma Nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.