'Ponham de lado as ameaças e as sanções', diz Khamenei aos EUA

Líder supremo do Irã impõe condições para retomada de diálogo sobre programa nuclear do país

REUTERS

18 de agosto de 2010 | 16h17

O supremo líder iraniano, aiatolá Ali Khamenei, disse nesta quarta-feira, 18, que seu país não irá conversar com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear a menos que as sanções e ameaças militares sejam suspensas.

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"O que eles dizem, nosso presidente e outros estão dizendo, é que nós negociaremos --sim, nós iremos, mas não com a América, porque a América não está negociando honestamente e como um negociador normal", disse o aiatolá em um discurso televisionado a importantes autoridades.  "Ponham de lado as ameaças e as sanções", exigiu.

    

O presidente Mahmoud Ahmadinejad já disse que o Irã está disposto a retomar negociações com as seis potências - Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, mais a Alemanha - nas próximas semanas.

 

Não foi imediatamente esclarecido se Khamenei descartava a retomada das negociações com o grupo ou se não haverá conversações bilaterais com Washington, algo pouco provável, já que os dois países não têm relações diplomáticas.

 

As potências ocidentais querem que as negociações se centrem em como controlar o controverso programa nuclear iraniano de enriquecimento de urânio, o que Teerã considera indiscutível.

 

Nesta quarta, O diretor da Organização de Energia Atômica do Irã (OEAI), Ali Akbar Salehi, afirmou que o país construirá novas instalações de enriquecimento de urânio sem levar em consideração às resoluções impostas Organização das Nações Unidas (ONU) contra seu programa nuclear.

 

As medidas eram pretendidas pelas potências ocidentais pelos temores de que o programa nuclear do Irã tenha como objetivo a produção de armas nucleares. Teerã, porém, nega e diz que enriquece urânio apenas para fins pacíficos. O pacote, aprovado em junho, é o quarto sofrido pelo Irã.

 

Para tentar impedir a aprovação das sanções Brasil e Turquia firmaram um pacto de troca de material nuclear baseado em um acordo oferecido em outubro de 2009 pela AIEA. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França, EUA e pela agência da ONU.

 

Atualizado às 19h01 para acréscimo de informações

 

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