Porta-voz de Kadafi lança foco sobre forças especiais na Líbia

Prisão de mercenários, ainda não apresentados, ressalta importância de operações militares clandestinas

DAVID BRUNNSTROM E GILES ELGOOD, REUTERS

20 Setembro 2011 | 09h05

BRUXELAS - O relato feito por partidários de Muamar Kadafi sobre a prisão de 17 mercenários estrangeiros na Líbia, nesta semana, foi recebido com ceticismo, mas salienta a importâncias das operações militares clandestinas por parte do Ocidente na derrubada do líder líbio.

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Moussa Ibrahim, porta-voz de Kadafi, ainda não cumpriu sua promessa de levar os prisioneiros à televisão, nem apresentou quaisquer outras provas que corroborem sua versão, que foi imediatamente desmentida por capitais ocidentais.

 

"A falta de evidências é por enquanto o que eu acho mais notável a respeito dessa história toda. Cadê as botas, cadê os relógios de pulso, para não falar dos rostos?", disse Francis Heisbourg, presidente do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

Tudo pode não passar de mais uma peça de desinformação por parte de um manipulador sem nada a perder. Mas mesmo assim se encaixa numa convincente narrativa em torno do lado secreto da guerra da Líbia.

"Essa alegação parte de Moussa Ibrahim, e uma boa proporção do que ele tem tido está redondamente errado", disse Shashank Joshi, pesquisador associado do Real Instituto de Serviços Unidos (Risu), em Londres.

"Moussa Ibrahim não tem credibilidade a proteger, então se isso se revelar completamente errado não há repercussões para ele - é apenas uma boa peça de guerra psicológica."

Ao focar nos "mercenários", Ibrahim escolheu um assunto que, em seus termos mais amplos, tem sido considerado crucial na tortuosa luta pela derrubada de Kadafi.

O uso da palavra por Ibrahim pode ter sido com a intenção de referir-se às forças especiais do Ocidente, formadas por unidades subcontratadas de segurança para assim oferecer um "grau de negabilidade", disse Joshi.

Embora tenham recebido ajuda dos bombardeios aéreos da Otan contra o Exército de Kadafi, as forças rebeldes foram durante meses incapazes de obter avanços expressivos no terreno. É aí que as forças especiais ocidentais ofereceram uma assistência vital aos revolucionários, frequentemente desorganizados.

"As forças especiais ocidentais estiveram menos envolvidas nos combates no terreno, e mais focadas em abastecer as forças da Otan com inteligência a respeito de alvos, no fornecimento de armas e no treinamento dos rebeldes", disse Barak Seener, pesquisador do Risu.

"O papel deles foi bem-sucedido e levou a um ritmo crescente de deserções, à erosão do apoio a Kadafi e ao rápido desmoronamento do regime dele, bem como à queda de Trípoli."

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