Possível revolta de colonos deixa Exército israelense em alerta

Cumprindo medida judicial, militares de Israel retiraram à força mais de 200 de local considerado sagrado

Agências internacionais,

05 de dezembro de 2008 | 11h45

O Exército israelense seguia nesta sexta-feira, 5, em estado de alerta máximo por temer uma revolta dos colonos judeus mais radicais na Cisjordânia, depois da expulsão de mais de 200 pessoas que ocupavam a Casa da Paz, em Hebron, na Cisjordânia, numa operação que mobilizou 600 militares e deixou pelo menos 25 feridos.   A desocupação do edifício - erguido numa área considerada sagrada e disputada por judeus e muçulmanos - foi ordenada pela Suprema Corte israelense. Em novembro, os juízes decidiram por unanimidade pela retirada temporária dos colonos até que houvesse uma decisão definitiva sobre quem é o proprietário do local. Famílias judaicas dizem ter comprado o prédio, batizado por eles como Casa da Paz, onde teriam sido enterrados Abraão, Isaac, Jacó e suas mulheres. O construtor do edifício, um palestino, diz que não sabia que os compradores eram judeus e alegou à Justiça que o negócio nunca foi concluído.   O governo e o Exército israelenses pediram nas últimas horas à Autoridade Nacional Palestina (ANP) que tente manter a calma nos centros urbanos, sobretudo na saída das rezas nas mesquitas onde nesta sexta-feira é dia de descanso semanal. Por enquanto, a única reação palestina aos fatos foi uma manifestação na Faixa de Gaza para exigir a todas as facções que respondam aos ataques dos colonos de Hebron, o núcleo mais duro da colonização judaica.   O pior cenário que prevêem os altos comandantes militares israelenses é o de que as provocações à população palestina local por parte dos colonos judeus, como ocorreu nestas últimas semanas, termine em violência. "Nos últimos dias ficou claro que os colonos mais extremistas não têm limites", diz uma alta fonte militar citada pelo jornal israelense Yedioth Ahronoth. Ela acrescenta que "não há tanta distância entre a profanação de túmulos em cemitérios muçulmanos e pichações em mesquitas", como ocorreu na última semana, e "o massacre do Túmulo dos Patriarcas", na qual morreram 30 palestinos.   Nas últimas semanas os radicais judeus picharam mesquitas com xingamentos como "Maomé é um porco", profanaram túmulos muçulmanos, e atacaram civis palestinos, em um caso com arma de fogo. "O fim de semana não transcorrerá em calma", assegura a fonte, que não descarta ataques também contra as forças de segurança.

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