Potências aceitam sanções modestas ao Irã

Segundo diplomatas, medidas não contam com as restrições econômicas propostas pelos Estados Unidos

NOAH BARKIN E SUE PLEMING, REUTERS

22 de janeiro de 2008 | 18h32

As potências mundiais concordaram nesta terça-feira, 22, com o esboço de uma nova resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) com sanções ao Irã, mas diplomatas disseram que não constam as punições econômicas defendidas pelos Estados Unidos.  Política não será alterada por resolução, diz Irã   O ministro alemão de Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse após quase duas horas de reuniões com representantes de Estados Unidos, China, Rússia, França e Grã-Bretanha, que a nova proposta de resolução será apresentada nas próximas semanas ao Conselho de Segurança da ONU. "Estamos unidos na opinião de que um Irã com armas nucleares teria consequências dramáticas para o Oriente Médio e além", disse Steinmeier. "Hoje juntos decidimos o conteúdo de uma nova resolução. Alemanha, França e Grã-Bretanha vão apresentar a proposta nas próximas semanas, [para] que seja discutida com os membros do Conselho de Segurança." O Ocidente mantém desde 2002 um confronto diplomático com o Irã, acusando o país de desenvolver armas nucleares. O Irã nega, mas já sofreu sanções da ONU em dezembro de 2006 e março de 2007. Há meses Washington defende uma nova resolução que puna instituições financeiras iranianas. Isso parece ter falhado. Rússia e China, que têm grandes interesses comerciais no Irã, endureceram sua oposição a novas sanções desde dezembro, quando um relatório de inteligência dos EUA dizia que desde 2003 Teerã havia abandonado seu programa de armas nucleares. O Irã afirmou na terça-feira que novas sanções não vão lhe impedir de usufruir seu "direito legítimo e legal" à energia nuclear pacífica. Steinmeier foi o único ministro a fazer declarações após a reunião. Os EUA cantaram vitória por conseguirem uma nova resolução, mas os detalhes são escassos e aparentemente as medidas foram atenuadas para permitir o consenso. Uma importante fonte dos EUA disse que a nova resolução estabelece proibição de viagens e o congelamento de bens como punições pela recusa do Irã em suspender seu programa de enriquecimento de urânio. "Os EUA estão satisfeitos, pois isso diz aos iranianos que eles ainda não estão a salvo", disse essa fonte. Já um diplomata europeu afirmou, sob anonimato, que a resolução não inclui punições financeiras nem termos duros contra os bancos do Irã, como desejavam os EUA. O texto, segundo esse diplomata, cobra "vigilância" sobre os bancos iranianos e sobre créditos públicos ao Irã --termos mais vagos, defendidos pela Rússia. Outra fonte européia disse que a conversa foi "aberta e construtiva" e que houve mudanças no texto até 15 minutos antes da entrevista coletiva. A fonte norte-americana disse que todas as partes se comprometeram a não revelar detalhes até que a proposta seja entregue aos dez outros países do Conselho de Segurança em Nova York.

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