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Potências aumentam pressão contra Irã após 2ª usina nuclear

Obama exige que Teerã permita inspeção da ONU em instalação atômica secreta para enriquecimento de urânio

estadao.com.br,

25 de setembro de 2009 | 10h14

O governo do Irã foi acusado nesta sexta-feira, 25, de ocultar da comunidade internacional a existência de uma segunda instalação nuclear para enriquecimento de urânio. O presidente americano, Barack Obama, afirmou que Estados Unidos, França e Reino Unido possuem provas detalhadas da existência do local. Mais cedo, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU confirmou que o regime iraniano admitiu a construção de uma segunda planta de enriquecimento de urânio em uma carta enviada no início da semana.

 

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Obama afirmou que o Irã tem o direito de produzir energia nuclear limpa como qualquer outro país, mas que o tamanho de seu programa atômico é inconsistente com um projeto nuclear pacífico. Ele ainda assegurou que mantém o compromisso de dialogar com Teerã, ainda que o país "se recuse a assumir suas responsabilidades internacionais" e pediu pela abertura da usina para inspeção da ONU.

 

O governo do Irã revelou a existência da segunda usina de enriquecimento de urânio em uma carta enviada ao chefe da AIEA, Mohammed El Baradei, no início da semana. O governo do Irã já havia admitido a existência de uma usina de enriquecimento de urânio em Natanz, que está sendo monitorada por inspetores da AIEA. Fontes afirmam que a usina - construída dentro de uma montanha perto da cidade sagrada de Qom, a 100 quilômetros de Teerã - ainda não está completa, mas poderia estar operando já no ano que vem. Acredita-se que a planta seja capaz de abrigar cerca de 3 mil centrífugas, as máquinas usadas no enriquecimento de urânio.

 

A carta assinala que o nível de enriquecimento seria de até 5%, que é considerado baixo, e não é elevado o bastante para a fabricação de material para uma bomba atômica. Um porta-voz da AIEA disse que o governo iraniano garantiu que ainda não havia nenhum material nuclear na nova instalação.

 

Obama lembrou que não é a primeira vez que o Irã oculta informações de seu programa nuclear, e afirmou que a decisão do Irã de construir uma segunda usina representa um desafio direto às normas internacionais submetidas para todas as nações, colocando em perigo a não-proliferação nuclear e a segurança do mundo.

 

Ao lado de Obama, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, estabeleceu um prazo até dezembro para que o Irã mude de atitude em relação ao seu desenvolvimento atômico ou enfrentará novas sanções. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, também participou do anúncio e apoiou a aplicação de "sanções mais severas contra o Irã". Brown acusou o regime iraniano de cometer "enganos em série".

 

O país havia reconhecido anteriormente ter apenas uma única usina na cidade de Natanz, no centro do país, que se encontra em parte subterrânea para protegê-la de possíveis ataques aéreos. A existência desta planta foi revelada no verão de 2002 por um grupo opositor iraniano mediante fotos tomadas por satélite. Por enquanto, Natanz possui instaladas cerca de 8 mil centrífugas, das quais aproximadamente 5 mil se encontram em funcionamento e produziram mais de uma tonelada de urânio pouco enriquecido.

 

Para poder fabricar uma bomba nuclear, é preciso urânio altamente enriquecido, que se consegue mediante o mesmo método. O Irã assegura que quer produzir urânio enriquecido de forma industrial para fins pacíficos como a geração de energia elétrica.

 

Perante a desconfiança da comunidade internacional às possíveis ambições nucleares do Irã, o Conselho de Segurança da ONU exige há mais de três anos a suspensão do programa de enriquecimento de urânio. O Irã está sob três conjuntos de sanções do Conselho de Segurança da ONU para desativar ou congelar o enriquecimento de urânio.

 

Em 1º de outubro, o negociador iraniano, Saeed Jalili, terá um encontro com os países envolvidos na questão nuclear do país: além dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, EUA, China, Grã-Bretanha, França e Rússia, também a Alemanha. No encontro, esses países pretendem pressionar Teerã a recuar em seus projetos nucleares.

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