Potências da UE ainda desconfiam do Irã e querem mais sanções

Os Estados Unidos e três importantesaliados europeus do país disseram na quinta-feira que asatividades nucleares do Irã ainda não são dignas de confiança eque a Organização das Nações Unidas deveria considerar sançõesmais duras ao país. "Uma abordagem de esperar para ver não é uma opção",disseram Grã-Bretanha, França e Alemanha aos diretores daAgência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão daONU). Antes, o presidente da AIEA, Mohamed El Baradei, disse queo Irã parece caminhar no sentido de esclarecer as dúvidas sobreseu histórico nuclear até o fim do ano. Por outro lado,reiterou que o conhecimento sobre as atuais atividades do paísestá afetado pelas restrições impostas pelo Irã aos inspetoresnucleares internacionais, e que o Irã está ampliando oenriquecimento de urânio apesar dos apelos da ONU para pará-lo. O trio europeu disse que ambas as coisas são "inaceitáveis"e que "o presente e o futuro" do programa nuclear iraniano lhesinteressa tanto ou mais que o passado. O Ocidente suspeita queo Irã esteja desenvolvendo armas nucleares, enquanto aRepública Islâmica diz que o programa nuclear se destinaexclusivamente à geração de eletricidade para fins civis. "Reconhecemos que o Irã deu alguns passos na direçãocorreta, mas estamos frustrados pela cooperação ser de naturezaparcial e reativa", disseram os três. "Assim, no fim dascontas, os resultados não são encorajadores. Portanto, devemostirar conclusões no Conselho de Segurança (da ONU)." A frase indica sanções mais duras, já discutidas comEstados Unidos, Rússia e China. A nota não cita prazos. O negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili, anunciou nestasemana que vai se reunir no dia 30 com o chefe da políticaexterna européia, Javier Solana. Caso Solana conclua que o Irãmantém sua recusa em suspender a produção de combustívelnuclear, pode haver imposição de sanções. Washington alinhou-se com essa posição. Embora tenhaelogiado as incursões da AIEA contra o sigilo iraniano, oenviado dos EUA, Gregory Schulte, disse que pouca coisa deveser descoberta em breve. "A consistente política iraniana de cooperação seletiva etáticas dilatórias sugerem que o Irã pretende apenas distrair omundo", afirmou. Rússia e China devem ver o relatório da AIEA sob um prismamais positivo, disseram diplomatas. Ambos os países, comdireito a veto no Conselho de Segurança, até agora se opõem anovas sanções. El Baradei apresentou um resumo do relatório da AIEA aos 35países da direção da agência num discurso cuidadosamenteequilibrado entre as preocupações do Ocidente e a tese de que épreciso ter paciência para que a cooperação Irã-AIEA dê frutos. (Reportagem adicional de Francois Murphy em Paris)

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